domingo, 7 de junho de 2020

Diálogos quarentenais II

Entre os dias pandêmicos que se passam, o sentimento que flui entre muitos e favorecido por toda a infraestrutura do mundo moderno é de que só se morre da doença hoje em voga. Durante um pequeno transe ilusório, esquecem-se que para morrer basta estar vivo, independente da causa, é Deus quem decide a hora e o local, e também o como e o porquê. Digo pequeno transe pois este desfalece assim que sabemos da morte de alguém por motivos diversos, que aliás são muito mais comuns do que por motivos da tal doença pandêmica. Tal aconteceu durante os últimos dias, quando soube da morte de um Sr. da região, conhecido nos meios políticos e financeiros, e ainda jovem. Encontrou o seu único mal irremediável, aquilo que nos une a todos num só rebanho de condenados, a morte, em um acidente de carro. A confusão atual é tanta, que para a mente embebida dos alertas midiáticos e pavor universalizado pela OMS parece até inconcebível alguém morrer assim em uma pandemia. Mas, morre. Lembremos que a morte está à espreita, doentes ou não doentes, estamos sujeitos à ela a qualquer momento.

Conversando com um amigo conhecido do falecido, soube que aquele tinha proximidade de um movimento espírita e esotérico e ainda um fato que arrepiou-me:

- Parece que suas últimas palavras foram: "o motorista estava contando... dinheiro".

Por qual motivo um homem morre assim? De que modo pronunciou estas palavras? O que queria dizer com isso? Queria apenas alertar as autoridades do verdadeiro culpado do acidente? Estava preocupado com as quantias financeiras no veículo? Todas estas perguntas passam por um relance na mente, uma seguida da outra e nenhuma resposta é possível. O que me parece claro é que não foram últimas palavras que se sonham dizer. Passamos a vida nos preparando para nossos últimos momentos, consciente ou inconscientemente pensamos e planejamos o que diremos em nossa agonia. É a nossa hora, a nossa hora final neste vale de lágrimas. Como questionava Otto Lara Resende: "O que é a arte senão essa necessidade de dizer as últimas palavras?". De fato, pode-se dizer que as últimas palavras de um homem, quando se pode pronuncia-las e com sanidade, são importantíssimas e geralmente refletem toda a sua vida e o seu destino iminente. Todas estas reflexões fizeram-me concluir:

- Creio que algo é certo, meu amigo: a regra é morrer como se vive. Exceções há, mas são raras. Uma conversão, uma penitência final, uma mudança de vida na hora da morte é um milagre. Mas a regra é morrer como se vive. Lembro-me de certa vez ouvir de um padre que a única solução é levar uma vida católica, e nada mais. Assim se poderá morrer bem, com a graça de Deus. Portanto, se alguém leva má vida, não hesite em procurar mudar, do contrário, com grande chance morrerá mal.

E as últimas palavras daquele homem ainda ressoavam em mim...

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Diálogos quarentenais

Pelas madrugadas da quarentena é comum encontrarem-se conversas virtuais entre amigos e numa das tantas, tal questionamento surgiu:

- "Em muitos tradicionalistas vejo uma atenção ao liberalismo como o maior dos inimigos da Cristandade. Mesmo no momento atual, onde o mundo sofre com problemas como o ambientalismo, o globalismo, o comunismo, etc. Então por que insistem tanto em lutar contra o liberalismo e não empregam o melhor de seus esforços, com mais senso de oportunidade, contra esses outros inimigos? E ainda mais, nessa luta, por adotarem postura anticapitalista, acabam fazendo frente ampla com a esquerda."

Creio na boa intenção da questão, pois, em um olhar superficial parece mesmo uma lógica correta, afinal padecemos atualmente de muitos inimigos com maior tateabilidade aparente do que o longínquo conceito de liberalismo. Mas, afinal, qual era mesmo o conceito de liberalismo? Lembremos que o Padre Sardà y Salvany, no seu clássico sobre o tema, nos ensina que o liberalismo é tão vasto que será encontrado desde a taberna até as cortes, passando pelas universidades, jornais, associações e museus de arte. Deste modo, tomando a  corajosa iniciativa de elucidar um conceito tão vasto, o padre espanhol esclarece e estabelece o Liberalismo como sendo um conjunto de idéias falsas e fatos criminosos que parte da absoluta soberania do indivíduo com inteira independência de Deus e da sua autoridade, tornando-o "o Mundo de Lúcifer [...], em radical oposição e luta com a sociedade dos filhos de Deus, que é a Igreja de Jesus Cristo".

Tendo tal conceito radical vivo em nosso intelecto, podemos afirmar com convicção que a luta contra o liberalismo não impede ou atrapalha a luta contra qualquer outro mal. Ao contrário, a potencializa, pois prepara-se para lutar contra males secundários conhecendo suas causas primárias que é o liberalismo. Uma luta muito mais eficaz. Lutar contra o comunismo, muitos lutam. Mas com quais frutos um liberal maçom luta contra o comunismo? Com quais frutos um modernista liberal preocupado com seus rendimentos financeiros luta contra o comunismo? No entanto, um católico anti-liberal, este sim, dará bons frutos na luta contra o comunismo e quaisquer outros males. Pois, estará bem preparado.

Ademais, nunca conheci nenhum anti-liberal que não lute contra todas essas bandeiras também, quando necessário. Também não conheço nenhum combatente contra o capitalismo entre os católicos anti-liberais que conheço. É inútil abordar essa questão neste momento. É um mal menor e pronto.

Querer abandonar a luta contra o liberalismo é justamente o motivo de estarmos aqui hoje, no caos reinante. Muitos inimigos existem, muitos existiram, e muitos nascerão, seja o ambientalismo, comunismo, globalismo, etc, e todos terão raízes no liberalismo. Corte a cabeça de um e nascerão dois. Por isso deixaremos de cortar cabeças? Não. Mas, temos que ser espertos o suficiente para atacar também o coração dos problemas.

Acredito inclusive que muitos desses problemas podem ser até criados para perdermos certo tempo e energia com eles, ao invés de um combate mais frutuoso contra as raízes da corrupção e da decadência do mundo moderno: o liberalismo.

Pe. Henry Le Floch
Um exemplo interessante a ser lembrado: Mons. Marcel Lefebvre esteve no seminário durante a década de 1920. Revolução bolchevique e ideias revolucionárias marxistas eram os assuntos nessa época. E Mons. Lefebvre deixa claro que a total diferença na sua vida de seminário foi a formação anti-liberal que recebeu do Pe. Le Floch. Note-se, não foi anti-comunista, e sim anti-liberal. Foi isso que preparou Mons. Lefebvre para lutar com bravura com tantos outros inimigos que sequer tinham forma clara e conhecida na década de 1920, mas que surgiriam com força jamais vista na década de 1960. Devemos tudo que de Católico nos resta hoje ao vigoroso e tenaz espírito anti-liberal de Mons. Lefebvre.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

A perniciosa vereda das redes sociais


Aqui trato como redes sociais principalmente o Facebook e Instagram, pois estes permitem maior interação entre seus usuários. Apesar que o Whatsapp já está quase assim.
Conheço muitos que utilizam tais redes e não vêem mal algum. Desculpas variam: "só uso para networking", "só uso para o trabalho", "só uso para pesquisar coisas boas", "só uso para evangelizar", etc.

Comparo tais desculpas à família que tem TV em casa "apenas para ver o jornal". O leitor crê em tal escusa? Eu também não.

O fato é, mesmo que muito bem intencionada e com tal moderado uso visando determinado objetivo muito específico, a rede social nunca se isolará apenas nisso. É uma guerra vencida, desde que você entrou nela, e não foi vencida por você. Como pode? É simples: enorme desequilíbrio de força. De um lado da fibra ótica, temos imensos servidores em países estrangeiros, com sistemas de altíssima tecnologia, inteligência artificial, algoritmos com códigos de programação atualizados a todo minuto pelas mentes mais bem pagas e das melhores universidades. Fora isso, um aparato monstruoso e universal de propaganda e marketing, com trilhões de dólares, euros, e bitcoins envolvidos. Ademais, uma concorrência selvagem entre sites e redes sociais, buscando angariar cliques, compartilhamentos, hashtags, visualizações, interações, e likes, para crescer mais, angariar mais trilhões de dólares com propagandas, e prender mais usuários. Toda essa estrutura não quer saber porquê você está ali, meu caro amigo. Para essa estrutura não importa se você só busca um grupo católico para conversar. Não importa se você só faz networking. Essa estrutura só quer que você veja, clique, compartilhe. E eles vão fazer tudo para que o faça. E não adianta espernear, pois do outro lado da fibra ótica está apenas você diante do monitor ou do celular, muitas vezes sozinho, e sempre indefeso. Mas vamos lá, supomos ainda que você faça uso moderado, vejamos.

Mesmo que você use pouco, esse acesso às redes sociais é pernicioso, pois o expõe à uma série de riscos, a saber:

1- Um espírito vaidoso¹ ao ver tantas postagens de pessoas conhecidas e desconhecidas em lugares e situações diferentes, que as fazem parecer melhores em algo, o que pode gerar na nossa cabeça que também estaremos melhores se fizermos tais coisas ou coisas parecidas;

2- Um espírito mesquinho pois nas redes todos postam suas individualidades, mesmo que seja uma comunidade ou grupo, cada um quer mostrar algo de si e busca algo para si, nem que seja uma reação de outra pessoa que curta ou compartilhe o que postou;

3- Uma mente superficial e medíocre, pois nada lá é tratado com profundidade, tudo se resume a fatos, posts e fotos imediatas, que exigem uma imediata reação sem julgar mais nada a não ser o momento;

4- Uma falsa imagem do próximo: internet não é realidade. Só se posta o que convém. Fora dela existe um abismo de coisas que as pessoas não mostram ou sequer conhecem em si mesmas. Aqui também vale destacar o cuidado da vida alheia. Nas redes, mesmo que não se queira, ficamos expostos a saber de coisas que não precisávamos saber, ou de mostrar o que não precisávamos mostrar;

5- Julgamentos temerários do próximo, pois só se vê, como dito, fatos isolados. Uma foto. Se julga. Um post. Se julga. Um compartilhamento. Se julga. Se rotula. Se define o outro por aquilo. E acabou. Quê miséria!;

6- Perigo à inteligência e à sanidade²: já diversos especialistas disseram que a mente humana foi feita para entender as coisas de forma linear da superfície à profundidade. Nas redes sociais nada é linear nem profundo. O cérebro passa de um anúncio de produtos para uma discussão teológica em apenas em um rolar do mouse. Isso destrói a inteligência e faz você ficar mais burro;

7- Contato com a miséria humana sem motivo justo: outrora as moças da nobreza faziam caridade em orfanatos, hospitais e hospícios e lá tocavam diversos tipos e histórias de miséria humana, mas com o auxílio da graça e lucrando sempre indulgências pelo trabalho feito com amor a Deus, e assim também os rapazes. Nas redes sociais, o tempo todo, vemos histórias e posts das mais diversas categorias às quais o ser humano pode descer, seja fisicamente, seja moralmente, e quê auxílio temos? O de um mouse para subir ou descer rapidamente a página, caso não seja de nosso interesse vê-la. Mas às vezes cedemos, e voltamos para dar aquela olhadinha. E então, a miséria já se instalou no nosso coração. E para onde foi a nobreza que outrora ali residia? Finda-se pouco a pouco a sensibilidade do coração. O respeito ao próximo. O luto. A dignidade. A honra. E por fim, viramos novos bárbaros virtuais;

8- Impureza: não é preciso nem falar. Mesmo que você seja um anjo na terra e suas redes também sejam. Eu duvido que não veja uma impureza se usar a rede durante uma hora. Ah, é apenas uma mulher de biquíni! Ah, mas é apenas um homem sem camisa. Lembre-se de que os pastorezinhos de Fátima viram o inferno cheio de almas impuras;

9- Perda de tempo. Deus nos deu uma vida curta. Saber aproveitar cada minuto é virtude. Desperdiçar é falta de virtude. Quer ser mais virtuoso ou não?;

10- Imagine uma família católica. Imagine uma família católica virtuosa. Imagine uma família católica santa. Imagine o seu interior. Imagine o seu íntimo. Imagine as crianças e os pais. Imagine a Família Martin na sua sala, após o jantar. Imagine Santa Terezinha no colo de Louis Martin e Celina no colo de Zélia Martin. Imagine o quanto aqueles corações amavam o Sagrado Coração. Agora imagine Louis e Zélia com elas no colo, olhando o Instagram no celular. "Ah, mas era outra época..."

Salve Maria!

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Referências:

¹- Dom Lourenço Fleichman. Do ORKUT ao FACEBOOK.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

I'll spread a little common sense on the bread


"A maneira mais breve de resumir minha postura é afirmar que a mulher representa a idéia de saúde mental, é o lar intelectual ao qual a mente regressará depois de cada excursão pela extravagância. Corrigir cada aventura e extravagância com seu antídoto de senso comum não é -como parecem pensar muitos- ter a posição de um escravo. É estar na posição de um Aristóteles ou de um Spencer, isto é, possuir uma moral universal, um sistema completo de pensamento." (Chesterton)

Cena do filme A Janela Indiscreta (1954) de Alfred Hitchcock.

Aulas de Rubén Calderón Bouchet (en español)

Algumas aulas do Prof. Rubén Calderón Bouchet, pai do conhecido tomista Pe. Álvaro Calderón. Estas foram gravadas entre a década de 90 e anos 2000 no Priorado São José da FSSPX em Mendonza, Argentina.

Cada player abaixo é uma playlist de aulas sequenciais organizadas por tema.

De la Apologética a a las Apologías (3 aulas)


El Modernismo (1994 - 14 aulas)

El Modernismo (2001 - 3 aulas)


Filosofía (8 aulas)


Religión y Civilización (10 aulas)


Lecciones de Metafisica (4 aulas)


Teología (8 aulas)


Las 24 Tesis Tomistas (17 aulas)


La Religión desde la Filosofía y la Historia (11 aulas)

La Revolución Moderna a la luz de la Teología (11 aulas)

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Don Camillo e Peppone: saga completa (legendada)


"Nas páginas de Guareschi encontramos não apenas a descrição de um modo de vida simples e humano que se foi, definitivamente ao que parece, em benefício da artificialidade asfixiante das grandes cidades, senão um conhecimento profundo do coração do homem e uma aproximação real, e não apenas discursiva, aos rincões mais nobres da alma, ocultos abaixo à névoa persistente de nossas misérias. Quiçá o grande triunfo de Guareschi sobre o comunismo consistiu em demonstrar, por meio dessa ausência total de ódio autêntico entre Peppone e Don Camillo, que o marxismo não é senão um câncer para a sociedade, e necessita apodrecer todas e cada uma das células desta para conseguir que reine entre os homens o rancor, a ira e o ressentimento mútuo, e que na medida em que subsistam nela quaisquer restos de princípios ou valores elevados (sempre) seu triunfo será somente aparente."

(Carmelo López-Arias Montenegro, Las tribulaciones de Don Camillo, en revista Roma Aeterna nº 123, Marzo 1993. Tradução minha.)

Uma tradução muito fiel -mas parcial- da obra de Guareschi, que se favorece não somente da herança viva de uma tradição que o mesmo Guareschi supervisiona, senão pela estupenda encarnação conseguida em Fernandel e Gino Cervi. Uma aproximação ao pequeno mundo de Don Camillo, que se completa em profundidades metafísicas não mais aptas para as telas de cinema nem espectadores abúlicos [n.d.t.: penso que se refira à obra citada abaixo, Don Camillo y los jóvenes de hoy, que não havia ainda sido levada ao cinema], numa obra extensa e perdurável do pensador e humorista italiano:

"Não, Senhor. Só quero dizer que hoje as pessoas crêem somente no que vêem e tocam. Mas há coisas essenciais que não se vêem nem se tocam: amor, bondade, piedade, honestidade, pudor, esperança. E fé. Coisas sem as quais não se pode viver. Esta é a auto-destruição a que me refiro. Me parece que o homem está destruindo todo seu patrimônio espiritual, a Única riqueza verdadeira que havia acumulado em milhares de anos. Um dia não distante se encontrará como o selvagem das cavernas. As cavernas serão altos arranha-céus cheios de maravilhosas máquinas, mas o espírito do homem será o de selvagem das cavernas."

(Giovanni Guareschi, “Don Camillo y los jóvenes de hoy”, cit. por C. López-Arias Montenegro, Ob. cit. Tradução minha.)

Veja os cinco filmes completos, em alta definição e legendados:

Título original: Don Camillo.
Título em inglês: The Little World of Don Camillo.
Subtitled in brazilian portuguese, english, spanish, romanian, german, greek, and hungarian.

Título original: Le retour de Don Camillo.
Título em inglês: The Return of Don Camillo.
Título em italiano: Il ritorno di Don Camillo.
Subtitled in brazilian portuguese, english, spanish, and german.

Título original: Don Camillo e l'onorevole Peppone.
Título em inglês: Don Camillo's Last Round.
Subtitled in brazilian portuguese, english and rumanian.

Título original: Don Camillo monsignore ma non troppo.
Título em inglês: Don Camillo: Monsignor.
Subtitled in brazilian portuguese.

Título original: Il compagno Don Camillo.
Título em inglês: Don Camillo in Moscow.
Subtitled in brazilian portuguese.







quinta-feira, 9 de junho de 2016

Gustavo Barroso: livros e artigos


Gustavo Barroso dispensa apresentações.

Basta dizer que foi um dos maiores filhos do Brasil, e um dos que mais amaram nossa Nação e fez por merecer o ser chamado brasileiro.

Sei que há muitos links de suas obras para download pela internet. Muitas vezes, inclusive, tais links encontram-se em páginas bastante contrárias às próprias idéias de Gustavo Barroso.

Mesmo assim, resolvi disponibilizar aqui os links de um pequeno acervo virtual de sua autoria, que eu organizei. Penso que seja, até agora, o maior acervo virtual de Gustavo Barroso reunido em apenas um sítio. Mesmo assim, são apenas 33 livros de sua autoria e 4 de sua tradução/organização.

Gostaria muito de conseguir muitas outras das suas dezenas de obras para digitalizar e aumentar este acervo. Mas as condições financeiras impedem-me.

Gostou? Deixe seu comentário.
Há algum problema com os links ou com as obras? Deixe seu comentário. Obrigado.

A coleção inteira pode ser visualizada aqui.

De sua autoria:
























Artigos em periódicos:






Traduções:




Organização:


Jornal Acção da Ação Integralista Brasileira (contém alguns artigos de G. Barroso):



terça-feira, 31 de maio de 2016

Goethe: Ela caiu, morreu e regozijou-se ainda...

Poema de Goethe, escrito em 1774.
Composição de Wolfgang Amadeus Mozart.
Execução: Elisabeth Grümmer.

Letra original:

Das Veilchen

Ein Veilchen auf der Wiese stand,
Gebückt in sich und unbekannt:
Es war ein herzigs Veilchen.
Da kam ein junge Schäferin
Mit leichtem Schritt und munterm Sinn
Daher, daher,
Die Wiese her und sang.

Ach! denkt das Veilchen, wär ich nur
Die schönste Blume der Natur,
Ach, nur ein Kleines Weilchen,
Bis mich das Liebchen abgepflückt
Und an dem Busen matt gedrückt,
Ach nur, ach nur
Ein Viertelstündchen lang.

Ach, aber ach! das Mädchen kam
Und nicht in acht das Veilchen nahm,
Ertrat das arme Veilchen.
Und sank und starb und freut sich noch:
Und sterb ich denn, so sterb ich doch
Durch sie, durch sie,
Zu ihren Füssen doch.
(Das arme Veilchen! es war ein herzigs Veilchen!)

Tradução:

A Violeta

Uma violeta crescia no campo
Inclinada sobre si e desconhecida:
Era uma linda violeta.
Aproximou-se então uma jovem pastora
Com passo leve e coração alegre,
Ela vinha só,
Cantando através do campo.

Ah! a violeta pensou, se apenas fosse
A mais bela flor da natureza,
Ah, ainda que só por um momento,
Até que a gentil rapariga me colhesse
E me apertasse contra o coração e eu morresse
Ainda que fosse, que fosse
Por um quarto de hora!

Ah! mas ah! a rapariga aproximou-se
E não prestou atenção à violeta;
Ela pisou a pobre violeta.
Ela caiu e morreu e regozijou-se ainda:
Se eu devo morrer, pelo menos eu morro
Através dela, através dela,
Aqui debaixo dos seus pés.
(Pobre violeta! Era uma linda violeta!)

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Goethe: Como a manhã, era amorosa

Poema de Goethe à sua amada Friederike Brion.
Composição de Franz Schubert.
Execução: Arleen Augér.

Letra original:

Sah ein Knab' ein Röslein stehn,
Röslein auf der Heiden,
War so jung und morgenschön,
Lief er schnell, es nah zu sehn,
Sah's mit vielen Freuden.
Röslein, Röslein, Röslein rot,
Röslein auf der Heiden.

Knabe sprach: Ich breche dich,
Röslein auf der Heiden!
Röslein sprach: Ich steche dich,
Daß du ewig denkst an mich,
Und ich will's nicht leiden.
Röslein, Röslein, Röslein rot,
Röslein auf der Heiden.

Und der wilde Knabe brach
Röslein auf der Heiden;
Röslein wehrte sich und stach,
Half ihm doch kein Weh und Ach,
Mußt es eben leiden.
Röslein, Röslein, Röslein rot,
Röslein auf der Heiden.

Tradução:

Um menino viu uma rosa,
Sobre a terra a rosinha,
Como a manhã era amorosa,
A criança correu ansiosa,
Inquieto à rosa vinha.
Rosa, rosa, rosa rubra,
Sobre a terra a rosinha.

Ele disse: “vou colher-te!”
Sobre a terra a rosinha.
Ela disse: “vou morder-te,
Que a mordida sempre alerte
Que eu não quero dor mesquinha.”
Rosa, rosa, rosa rubra,
Sobre a terra a rosinha.

Mas a criança cruel pegou
Sobre a terra a rosinha;
Ela reagiu, mas fraquejou,
Sem sorte, seu fim chegou,
Deixa cumprir-se a sina.
Rosa, rosa, rosa rubra,
Sobre a terra a rosinha.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Oratórios românticos: Christus de F. Liszt


Franz Liszt, húngaro; maçom, revolucionário e adúltero, converteu-se pelas mãos de Pio IX, de quem recebeu as ordens menores; sua música é ultrarromântica; mas seu oratório Christus figura entre os mais belos; 1811-1886. Esta execução que aqui reproduzo foi conduzida pelo maestro húngaro Antal Doráti.


Liszt compondo em um piano de cauda Bechstein nos aposentos vaticanos na presença de S. S. Pio IX.
Imagem capa do jornal alemão ilustrado, para senhoras, Der Bazar, 1869.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Sem medo


Um momento, um denso acaso,
o televisor assim se suspende,
revivendo memórias em descaso,
a morte, sem medo, porende.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Árias Barrocas: O nox dulcis, quies serena (HWV 240)


Do moteto Saeviat tellus inter rigores (HWV 240) de George Frideric Handel.

Em latim:

O nox dulcis, quies serena
Carmelitis sis longa, sis stabilis
No te turbet tristis Megaera
dum Mariae lux nitet amabilis

***

Tradução em português:

Ó doce noite, repouso sereno,
Seja estável e longa para as Carmelitas
Que não te turbe a fúnebre Megera
Enquanto a doce luz de Maria a iluminar.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Marchas Brasileiras: Canção da Engenharia

Letra de Aurélio de Lyra Tavares
Música de Hildo Rangel
---
Quer na paz, quer na guerra, a Engenharia
Fulgura, sobranceira, em nossa história
Arma sempre presente, apóia e guia
As outras Armas todas à vitória.
 Nobre e indômita, heróica e secular
Audaz, na guerra, ao enfrentar a morte,
Na paz, luta e trabalha, sem cessar,
Pioneira brava de um Brasil mais forte.

O castelo lendário, da Arma azul-turquesa
Que a tropa ostenta, a desfilar, com galhardia
É um escudo de luta, é o brasão da grandeza
E da glória sem fim, com que forja a defesa
E é esteio, do Brasil, a Engenharia.

Face aos rios ou minas, que o inimigo
Mantém, sob seu fogo, abre o engenheiro
A frente para o ataque e, ante o perigo,
Muitas vezes, dos bravos é o primeiro.

Lança pontes e estradas, nunca falha,
E em lutas as suas glórias ressuscita,
Honrando, em todo o campo de batalha,
As tradições de Villagran Cabrita.

O castelo lendário, da Arma azul-turquesa
Que a tropa ostenta, a desfilar, com galhardia
É um escudo de luta, é o brasão da grandeza
E da glória sem fim, com que forja a defesa
E é esteio, do Brasil, a Engenharia.

Retirado do Livro Hinos e Canções Militares, Edição de 1976.

terça-feira, 22 de março de 2016

C’est la débâcle de ce monde uni...

Vista lá de cima, a terra parece nua e morta; quando o avião desce, ela se veste. Os bosques voltam a estofá-la; os vales e as colinas nela imprimem uma ondulação: a terra respira. A montanha que se sobrevoa - peito de gigante deitado - incha-se quase até o avião.

Agora próximo, o curso das coisas se acelera, como a torrente sob uma ponte. É a derrocada deste mundo unido. Árvores, casas, vilas separam-se do horizonte liso e são arrastadas atrás dele, à deriva.

Antoine de Saint-Exupèry, Courrier Sud.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Árias Barrocas: In furore iustissimæ iræ (RV 626)


De um moteto para solo soprano composto por Antonio Vivaldi em uma de suas visitas à Roma, nos idos de 1720.
Performance: Sandrine Piau.

Em latim

In furore iustissimae irae 
Tu divinitus facis potentem.

Quando potes me reum punire 
ipsum crimen te gerit clementem.

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Tradução em português:

No furor de vossa Justíssima Ira,
O Senhor divinamente exerce seu poder.

Quando o Senhor pode punir-me
O mesmo crime o faz ter clemência.

domingo, 20 de março de 2016

Marchas Alemãs: Auf der Heide blüht ein kleines Blümelein

Auf der Heide blüht ein kleines Blümelein, ou simplesmente "Erika", é uma canção militar alemã escrita e composta em 1939 por Herms Niel.

Foi uma das canções preferidas da Wehrmacht, a infantaria alemã na Segunda Guerra Mundial.

Letra original em alemão:

Auf der Heide blüht ein kleines Blümelein
und das heißt: Erika.
Heiß von hunderttausend kleinen Bienelein
wird umschwärmt Erika
denn ihr Herz ist voller Süßigkeit,
zarter Duft entströmt dem Blütenkleid.
Auf der Heide blüht ein kleines Blümelein
und das heißt: Erika.

In der Heimat wohnt ein blondes Mägdelein
und das heißt: Erika.
Dieses Mädel ist mein treues Schätzelein
und mein Glück, Erika.
Wenn das Heidekraut rot-lila blüht,
singe ich zum Gruß ihr dieses Lied.
Auf der Heide blüht ein kleines Blümelein
und das heißt: Erika.

In mein'm Kämmerlein blüht auch ein Blümelein
und das heißt: Erika.
Schon beim Morgengrau'n sowie beim Dämmerschein
schaut's mich an, Erika.
Und dann ist es mir, als spräch' es laut:
"Denkst du auch an deine kleine Braut?"
In der Heimat weint um dich ein Mägdelein
und das heißt: Erika.

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Tradução em português:

Sobre a prado nasce uma pequena flor 
E seu nome é Erika.
Milhões de abelhinhas
Aconchegam-se em Erika
Porque seu coração é doce
Um cheiro suave vem de seu vestido florido
E seu nome é Erika

Em minha terra vive uma pequena garota
E ela se chama Erika
Essa pequena é meu amor fiel
E minha alegria, Erika
Quando a flor floresce vermelho-lilás na urze
No matagal nasce uma pequena flor
E ela se chama: Erika

No meu lar também floresce uma pequena flor
E ela se chama Erika
Nos primeiros raios da manhã e no crepúsculo
Ela me olha, Erika
E parece que ela fala alto:
Você ainda pensa em sua pequena noiva?
Em sua terra uma garota chora por você
E seu nome é Erika.

sábado, 19 de março de 2016

Canções Medievais: Viva el gran Re Don Fernando


Primeira canção secular impressa na Itália (~1493).
Composta em honra dos Reis Católicos Fernando e Isabel de Castela e Aragão, foi impressa em Roma e decorada pelo Núncio do Vaticano na Espanha, Juan Ruiz de Medina.

A tomada de Granada e o fim da Reconquista pelos Reis Católicos Fernando e Isabel.

Letra original em antigo italiano:

Viva el gran Re Don Fernando 
con la Reina Donn' Isabella! 
Viva Spagna e la Castella 
pien de gloria triumphando! 

La città mahometana 
potentissima Granata 
de la falsa fe pagana 
e disciolta è liberata 
per virtute e manu armata 
del Fernando e l'Isabella. 
Viva Spagna ... 

Gran auspicio e gran impresa 
gran consiglio e gran virtute 
gran honore a santa chiesa 
a ignoranti gran salute 
gran provincia in servitute 
al Fernando e l'Isabella. 
Viva Spagna... 

Nostra fede chiascun senti 
quanto a questi e obbligata 
perche Mori non contenti 
d'Asia et Africa occupata 
in Europa debacchata 
già facevan sforzo e vela. 
Viva Spagna... 

Hora ognum fa festa e canti 
el Signor regratiando 
per tal palma tutti quanti 
dirren ben forte gridando: 
Viva el gran Re Don Fernando 
colla Reina Donn' Isabella. 
Viva Spagna e la Castella 
pien de gloria triumphando!

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Tradução em português:

Viva o grande Rei Dom Fernando
e a Rainha Dona Isabel!
Viva Espanha e Castela
cheia de glória triunfando!

A cidade muçulmana,
potentíssima Granada,
da falsa fé pagã,
está salva e liberta.
Por virtude e mão armada,
de Fernando e Isabel.
Viva Espanha! ...

Grande amparo e grande empresa,
grande conselho e grande virtude,
grande honra à Santa Igreja
grande saúde aos ignorantes,
grande província em servidão
a Fernando e a Isabel.
viva Espanha! ...

Nossa Fé que perdoem todos
a quem lhes está obrigada,
pois não contentes os mouros
da Ásia e África ocupadas
à Europa ultrajada
mandavam homens e navios.
viva Espanha! ...

Já é tudo festa e canto
ao Senhor as graças dando,
tal triunfo celebrando
todos alto vão gritando:
viva o grande Rei Dom Fernando
e a Rainha Isabel!
Viva Espanha e Castela
cheia de glória triunfando!