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domingo, 20 de março de 2016

Marchas Alemãs: Auf der Heide blüht ein kleines Blümelein

Auf der Heide blüht ein kleines Blümelein, ou simplesmente "Erika", é uma canção militar alemã escrita e composta em 1939 por Herms Niel.

Foi uma das canções preferidas da Wehrmacht, a infantaria alemã na Segunda Guerra Mundial.

Letra original em alemão:

Auf der Heide blüht ein kleines Blümelein
und das heißt: Erika.
Heiß von hunderttausend kleinen Bienelein
wird umschwärmt Erika
denn ihr Herz ist voller Süßigkeit,
zarter Duft entströmt dem Blütenkleid.
Auf der Heide blüht ein kleines Blümelein
und das heißt: Erika.

In der Heimat wohnt ein blondes Mägdelein
und das heißt: Erika.
Dieses Mädel ist mein treues Schätzelein
und mein Glück, Erika.
Wenn das Heidekraut rot-lila blüht,
singe ich zum Gruß ihr dieses Lied.
Auf der Heide blüht ein kleines Blümelein
und das heißt: Erika.

In mein'm Kämmerlein blüht auch ein Blümelein
und das heißt: Erika.
Schon beim Morgengrau'n sowie beim Dämmerschein
schaut's mich an, Erika.
Und dann ist es mir, als spräch' es laut:
"Denkst du auch an deine kleine Braut?"
In der Heimat weint um dich ein Mägdelein
und das heißt: Erika.

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Tradução em português:

Sobre a prado nasce uma pequena flor 
E seu nome é Erika.
Milhões de abelhinhas
Aconchegam-se em Erika
Porque seu coração é doce
Um cheiro suave vem de seu vestido florido
E seu nome é Erika

Em minha terra vive uma pequena garota
E ela se chama Erika
Essa pequena é meu amor fiel
E minha alegria, Erika
Quando a flor floresce vermelho-lilás na urze
No matagal nasce uma pequena flor
E ela se chama: Erika

No meu lar também floresce uma pequena flor
E ela se chama Erika
Nos primeiros raios da manhã e no crepúsculo
Ela me olha, Erika
E parece que ela fala alto:
Você ainda pensa em sua pequena noiva?
Em sua terra uma garota chora por você
E seu nome é Erika.

sábado, 19 de março de 2016

Marchas Austríacas: Pariser Einzugsmarsch

De autoria de Johann Heinrich Walch, sob seu ritmo as tropas austro-alemãs marcharam sobre Paris em 1814, após a segunda guerra napoleônica.

terça-feira, 9 de junho de 2015

[HISTÓRIA] Jorge Rinaldi, o espião soviético



A sua história parece ter saído de um livro ou de um filme de espionagem, mas é tudo verdade. Se trata da vida de Jorge Rinaldi. Comandante do partido comunista e campeão italiano de paraquedismo, preso em 1967 com sua mulher sob a acusação de ter trabalhado para a KGB na espionagem soviética, sobretudo na Espanha. Conta-se sua história no livro: Tainik: histórias vistas na espionagem soviética.



Foi verdadeiro espião? Um trapaceiro? Não se conhecerá nunca toda a verdade sobre Jorge Rinaldi, morto aos sessenta anos em Asti por um derrame cerebral. Nos anos 50, em plena guerra fria, assegurava-se que era um dos 007 mais fortes da espionagem soviética, o homem mais potente da KGB na Itália. 



Mas a sua atividade de 20 anos ao serviço da URSS foi barrada pela polícia em março de 1967, na saída de um cinema em Turim, tinha em seu gabinete escondido o último envelope com as últimas micro-mensagens cifradas destinadas a chegar em Moscou, no palácio Lubianka, na praça Dzinskj, sede da KGB. Aquele envelope deveria ser aberto apenas por Yuri Andropov, o chefe da contra-espionagem que depois se tornaria o premier da União Soviética.

Jorge Rinaldi era uma personalidade, uma espécie de Mata Hari à italiana, comunista até o fundo, ex-comandante partidário da terceira brigada Karl Marx, conhecido sob as colinas de Asti como os Negros.

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Na reportagem do Jornal ABC espanhol de 1967 se diz: "A detenção de Jorge Rinaldi, sua esposa, Angela Maria Antoniola, e Armando Girard, acontecida na quarta-feira última, dia 15, e comunicada ontem à imprensa, permitiu fechar o círculo de uma paciente investigação iniciada há seis anos. Os três confessaram. Na casa de Rinaldi os agentes encontraram as direções de espiões que trabalharam para a URSS estabelecidos em diversos países.

"Rinaldi era o chefe da rede, cujo centro funcionava em Turim. Na casa do espião italiano se recebiam e transmitiam por rádio as instruções dos trabalhos e era também o local de recolhimento de microfilmes e distribuição dos filmes [fotográficos]. Jorge Rinaldi foi um "ás" do paraquedismo e conquistou o recorde italiano em 1963, lançando-se com um paraquedas especial desde 9 mil metros de altura."

"Rinaldi conta com trinta e oito anos, descende de uma família nobre e estudou na Academia Militar de Lecce, de onde foi expulso por indisciplina. Anos mais tarde se dedicou ao paraquedismo onde foi instrutor na Suiça e Itália."

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Dois Pernambucanos em Alcácer Quibir


O povo português e seu herdeiro, o do Brasil, consideram agosto mês de desgosto e sua 1ª segunda-feira dia aziago, porque a 4 de agosto de 1578, numa segunda-feira, se travou nos areais de Marrocos a famosa batalha de Alcácer Quibir ou de Kass-el-Kebir, cujo resultado foi a derrota e morte do rei de Portugal, D. Sebastião, o Desejado, caindo seu reino com todos os domínios ultramarinos, inclusive o Brasil, sob o poder da coroa espanhola.

Desde uma década mais ou menos após o descobrimento do Brasil andavam os marroquinos envolvidos em contendas civis, nascidas de ambições de rivalidades dos seus príncipes. Uma delas levara à África as armas portuguesas. Reinava, então, em Marrocos a dinastia dos Sáditas ou dos Xerifes, como era mais conhecida. Em 1557, subiu ao trono Mulei Abdalá, cujos irmãos, temendo sua crueldade, fugiram para a Argélia. Eram três: o mais novo Mulei Ahmede voltou mais tarde à terra natal e nada lhe aconteceu; o mais velho foi assassinado por sicários mandados ao seu encalço e o do meio, Mulei Abde Almelique, que as crônicas lusas apelidam Mulei Maluco, destinado a espantoso fim, foi quem deu de certo modo causa àquela batalha, provocando a intervenção do monarca português na crise da sucessão do Império Xerifiano.

Foi o caso que Mulei Abdalá, ao morrer em 1574, designou como seu sucessor, contra as praxes seguidas na ordem sucessória da dinastia, um filho que tivera duma escrava negra Mulei Mohamede Almotanaquil, designado pelos cronistas lusos como Mulei Hamet. Isto desgostou muitos xeiques das tribos marroquinas, o que o irmão do xerife morto. Mulei Maluco, quis aproveitar. Tendo servido com brilho nas campanhas dos turcos, deu o Sultão ordem ao rei de Argel para ajudá-lo e prestigiá-lo. Assim, levantando janízaros e ginetários argelinos, o Maluco invadiu sua pátria pela fronteira da Argélia, venceu o tio e entrou triunfante em Fêz. Todavia, refugiado na cidade de Marrocos, Mulei Hamet decidiu continuar a luta.

Em face da mesma, pensou D. Sebastião em intervir na questão marroquina, procurando entender-se a propósito com o poderoso rei de Espanha, Filipe II. Seu grande argumento era o poderio otomano estendido até Marrocos, graças a Mulei Maluco, protegido do sultão de Constantinopla, constituindo isso grave ameaça à cristandade peninsular.

Conseguido esse apoio, levantou o dinheiro que pôde, organizou uma expedição e entreteve entendimentos com marroquinos influentes. Em fins de 1577, o xerife destronado Mulei Hamet acolheu-se à proteção dos espanhóis e correspondeu-se com D. Sebastião, que o aprazou a esperá-lo em África. O exército com que o Rei se meteu nessa temerária aventura compunha-se de 2800 mercenários tudescos, valões e holandeses, 2 mil castelhanos, 600 italianos enviados pelo Papa, um Terço de Aventureiros em que se incluíam jovens fidalgos lusos e o resto de portugueses, ao todo 17 mil combatentes, dos quais 1500 a cavalo, não se contando uns 8 mil indivíduos que faziam ofício de gastadores, carreteiros, pajens, armeiros, cozinheiros, criados, escravos e rascoas ou chinas de tropa. A artilharia numerava 36 peças de vários calibres.

Esse exército desembarcou em Arzila entre 12 e 28 de julho, chegou a Almenara de 30 para 31, e à ponte de Alcácer, além do sobreiral de Larache, sobre o rio Mocazin, a 3 de agosto. E, ao amanhecer da segunda-feira 4, defrontou as tropas do Xerife na planura de Alcácer Quibir.

Contra eles avançou dividido em três corpos de infantaria tendo ao centro o Terço dos Aventureiros, comandado por Álvaro Pires de Távora, ladeado por mangas de arcabuzeiros de Tânger. À direita, os tudescos. À esquerda, espanhóis e italianos. Ao centro, a bagagem e os não combatentes. Nas alas e coice, os terços lusitanos. Nas costaneiras, as cavalarias. O Xerife formara sua gente à maneira turca, em meia-lua, com infantaria ao centro, cavalaria e infantaria montada nas alas. A sua artilharia, 26 peças, esperava o ataque cristão emboscada numa dobra do terreno, camuflada com ramos de árvores.

A batalha travou-se ainda pela manhã e durou mais ou menos 6 horas, iniciada por uma preparação da artilharia marroquina a que só tardiamente e mal respondeu a portuguesa. Depois, foi o choque em que logo se distinguiu o bravo Terço dos Aventureiros, que entrou pelas formações inimigas com violência sem par, detendo-se, porém, à voz inesperada Ter! Ter! até hoje não explicada convenientemente. Cercados, vendem caros as vidas. Pronuncia-se, então, o desbarato do exército. Os alemães são acossados e dizimados, a artilharia tomada e os terços da retaguarda combatem frouxamente. No meio da grande confusão que se estabelece, o Rei luta como um paladino e tomba com honra, enquanto suas tropas fogem, rendem-se ou são chacinadas pelos infiéis. Esse fim deu origem à lenda do Encoberto, do rei misterioso que um dia voltaria ao seu reino. E o Sebastianismo foi a esperança dum salvador e duma salvação um dia entre os dias...

Não escapou nenhum dos três personagens reais que participaram dessa nefasta batalha. Pereceu em combate de armas na mão o soberano português. Morreu, ao finda a pugna, o xerife marroquino, que a ela comparecera numas andas em precário estado de saúde. E Mulei Maluco, ao fugir da derrota, afogou-se, tentando atravessar o Mocazin. Seu corpo foi esfolado pelos mouros e a pele cheia de palha, sendo transformado em pavoroso espantalho.

Até aqui todos que lêem um pouco de História sabem. Agora o que poucos sabem é que nessa pugna infeliz, de tão graves consequências para o destino de Portugal e do Brasil, estiveram presentes e se bateram como leões dois ilustres brasileiros. Eram eles os dois irmãos pernambucanos, naturais de Olinda, Duarte e Jerônimo de Albuquerque Coelho, ambos filhos do grande Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco e fundador daquela vila.

Jorge de Albuquerque Coelho comandava uma coluna de cavaleria. Em plena batalha, vendo o Rei tombar do cavalo derrubado por uma bala inimiga, embora gravemente ferido, desmonta e lhe entrega o seu salvando-o, assim, de ser logo morto ou aprisionado. No decurso da pugna cai com seu irmão Duarte, também ferido, prisioneiro dos infiéis. Este, que era o primogênito, não resistindo às consequências dos ferimentos e às agruras do cativeiro, faleceu no fim de dois anos, em 1580, justamente quando Jorge era resgatado a peso de ouro, aleijado das pernas e andando de muletas.

Duarte de Albuquerque Coelho era o segundo donatário da Capitania de Pernambuco. Jorge, seu irmão, mais moço, por sua morte foi o terceiro. Era homem de grande bravura e sangue frio. Em maio de 1565, viajando de Olinda para Lisboa na nau "Santo Antônio", depois de porfiado combate com um pirata francês, rendeu-se e foi largado no mar com seu navio num temporal medonho. Conseguiu animar os companheiros, vencer os elementos e, apesar de longos dias de fome e sêde, chegar finalmente a Cascais. Tinha, como se vê, um grande aprendizado de vicissitudes. E, além de herói, era escritor, tendo sido celebrado por um poeta, Bento Teixeira Pinto, na "Prosopopéia".

Deixou Jorge de Albuquerque Coelho, como seu pai, também dois filhos ilustres: Duarte de Albuquerque Coelho, Marquês de Basto, primeiro Conde de Pernambuco e quarto donatário dessa capitania, autor das Memórias Diárias da Guerra do Brasil, e o grande Matias de Albuquerque, Conde de Alegrete, general das forças brasileiras contra os holandeses na guerra de Pernambuco e general das forças portuguesas contra os espanhóis na guerra da independência ou restauração de Portugal.

São desta sorte as grandes figuras da brava gente pernambucana.

Gustavo Barroso - Segredos e Revelações da História do Brasil