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terça-feira, 9 de junho de 2015

[HISTÓRIA] Jorge Rinaldi, o espião soviético



A sua história parece ter saído de um livro ou de um filme de espionagem, mas é tudo verdade. Se trata da vida de Jorge Rinaldi. Comandante do partido comunista e campeão italiano de paraquedismo, preso em 1967 com sua mulher sob a acusação de ter trabalhado para a KGB na espionagem soviética, sobretudo na Espanha. Conta-se sua história no livro: Tainik: histórias vistas na espionagem soviética.



Foi verdadeiro espião? Um trapaceiro? Não se conhecerá nunca toda a verdade sobre Jorge Rinaldi, morto aos sessenta anos em Asti por um derrame cerebral. Nos anos 50, em plena guerra fria, assegurava-se que era um dos 007 mais fortes da espionagem soviética, o homem mais potente da KGB na Itália. 



Mas a sua atividade de 20 anos ao serviço da URSS foi barrada pela polícia em março de 1967, na saída de um cinema em Turim, tinha em seu gabinete escondido o último envelope com as últimas micro-mensagens cifradas destinadas a chegar em Moscou, no palácio Lubianka, na praça Dzinskj, sede da KGB. Aquele envelope deveria ser aberto apenas por Yuri Andropov, o chefe da contra-espionagem que depois se tornaria o premier da União Soviética.

Jorge Rinaldi era uma personalidade, uma espécie de Mata Hari à italiana, comunista até o fundo, ex-comandante partidário da terceira brigada Karl Marx, conhecido sob as colinas de Asti como os Negros.

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Na reportagem do Jornal ABC espanhol de 1967 se diz: "A detenção de Jorge Rinaldi, sua esposa, Angela Maria Antoniola, e Armando Girard, acontecida na quarta-feira última, dia 15, e comunicada ontem à imprensa, permitiu fechar o círculo de uma paciente investigação iniciada há seis anos. Os três confessaram. Na casa de Rinaldi os agentes encontraram as direções de espiões que trabalharam para a URSS estabelecidos em diversos países.

"Rinaldi era o chefe da rede, cujo centro funcionava em Turim. Na casa do espião italiano se recebiam e transmitiam por rádio as instruções dos trabalhos e era também o local de recolhimento de microfilmes e distribuição dos filmes [fotográficos]. Jorge Rinaldi foi um "ás" do paraquedismo e conquistou o recorde italiano em 1963, lançando-se com um paraquedas especial desde 9 mil metros de altura."

"Rinaldi conta com trinta e oito anos, descende de uma família nobre e estudou na Academia Militar de Lecce, de onde foi expulso por indisciplina. Anos mais tarde se dedicou ao paraquedismo onde foi instrutor na Suiça e Itália."

quinta-feira, 21 de março de 2013

A Senhora Xavier a revolução soviética

Encontro-me, agora, em casa da Senhora Xavier e sinto-me um pouco comovido. São, assim, trezentas francesas de 60 a 70 anos, perdidas como ratos cinzentos numa cidade de quatro milhões de habitantes. São antigas professoras primárias ou governantas das meninas do antigo regime e tiveram de passar pela Revolução. Tempos esquisitos. O mundo antigo desmoronava-se sobre elas como um templo, a Revolução esmagava os fortes e dispersava os fracos para os quatro cantos do mundo como joguetes de uma tempestade, mas não tocou sequer nas trezentas governantas francesas. Eram tão miúdas, tão reservadas, tão corretas! Na esteira das belas alunas, haviam aprendido, durante tanto tempo, a tornar-se invisíveis! Ensinavam-lhes as doçuras da língua francesa e essas belas alunas imediatamente apanhavam, no laço das palavras mais doces, os belos namorados da Guarda. As velhas governantas não sabiam explicar que poder secreto escondiam o estilo e a ortografia, uma vez que nunca se tinham servido dele para o amor. Ensinavam também as boas maneiras, música e dança; e esses segredos, que entre elas apenas favoreciam a correção mais requintada, tornavam-se nessas meninas qualquer coisa de vivo e de ligeiro. E as velhas governantas envelheciam, vestidas de preto, severas e discretas, presentes mas invisíveis, como a virtude, as recomendações e a boa educação. E a Revolução, que cortou as flores radiosas, nem sequer roçou, pelo menos em Moscou, aqueles ratos brancos.

A Senhora Xavier tem 72 anos. E a senhora Xavier chora. Sou o primeiro francês que, de há trinta anos para cá, se senta em casa dela. A Senhora Xavier repete, pela vigésima vez: "Se eu tivesse sabido... se eu soubesse... podia perfeitamente ter arranjado um quarto". E vejo a porta aberta, e ponho-me a pensar nos estrangeiros, que também moram naquele apartamento e que não hão-de deixar de denunciar doze vezes o nosso conciliábulo. Sou ainda muito romanesco. A senhora Xavier atualiza devidamente a lenda:
 - Se abri a porta - conta ela orgulhosamente - foi de propósito. Recebo uma visita tão gentil! Todas as vizinhas vão ficar com ciúmes. [...]
Agora, deixo-me ficar à escuta, deixo-a contar. Interroguei-a acerca da Revolução, porque o ponto de vista dela interessava-me. O que é uma revolução? E como é que se consegue subsistir, quanto tudo se desmorona à nossa volta?
- Uma revolução - conta-me a anfitriã - uma revolução é uma coisa muito aborrecida.

Antoine de Saint-Exupèry
Um sentido para a vida