sábado, 17 de novembro de 2012

O verdadeiro herói no pequeno Frodo Bolseiro

Trecho da carta de J. R. R. Tolkien enviada à Sra. Eileen Elgar em setembro de 1963, onde a leitora comenta sobre o fracasso de Frodo em se render ao Anel nas Fendas da Perdição.

Muitos poucos (de fato até onde vejo pelas cartas que chegam só você e um outro) observaram ou comentaram sobre o “fracasso” de Frodo. É um ponto muito importante. Do ponto de vista do contador de histórias os eventos na Montanha da Perdição procedem simplesmente da lógica do conto até aquele tempo. Eles não foram trabalhados deliberadamente para que não fossem previstos até que eles acontecessem. Mas, primordialmente, ficou finalmente bem claro que Frodo depois de tudo o que tinha acontecido seria incapaz de destruir o Anel voluntariamente.

Refletindo sobre a solução depois que fosse alcançada (como um mero evento) e sinto que é central à toda “teoria” de verdadeira nobreza e heroísmo que é apresentada. Frodo realmente “falhou” como um herói, como concebido por mentes simples: ele não suportou até o fim; ele cedeu, rendeu-se. Não digo “mentes simples” com desprezo: elas freqüentemente vêem com clareza a verdade simples e o ideal absoluto para os quais os esforços devem ser dirigidos, até mesmo se for inacessível. Porém, sua fraqueza é duplicada. Elas não percebem a complexidade de qualquer determinada situação no Tempo, na qual um ideal absoluto é enredado. Elas tendem a esquecer daquele estranho elemento no Mundo que chamamos Piedade ou Clemência, que também são exigências absolutas no juízo moral (uma vez que está presente na natureza Divina). Em seu exercício mais alto pertence a Deus. Para juízes finitos de conhecimento imperfeito ele pode levar ao uso de duas medidas diferentes de “moralidade”. Para nós mesmos temos que apresentar o ideal absoluto sem compromisso, porque não sabemos nossos próprios limites de força natural (+virtude), e se não almejarmos o mais alto certamente não atingiremos o máximo que poderíamos alcançar. Para outros, no caso de sabermos o bastante para fazer um julgamento, temos que aplicar uma balança moderada por “piedade”: quer dizer, já que nós podemos com boa fé fazer isto sem o preconceito inevitável em julgamentos de nós mesmos, temos que calcular os limites da força alheia e temos que pesar isto contra a força de circunstâncias particulares.


Eu não penso que o de Frodo foi um fracasso moral. Na última hora a pressão do Anel alcançou seu máximo - impossível, eu deveria ter dito, para qualquer um resistir, especialmente depois de tão longa possessão, meses de crescente tormento, e já faminto e exausto. Frodo tinha feito o que ele pôde e se esgotou completamente (como um instrumento da Providência) e tinha criado uma situação na qual o objetivo de sua missão poderia ser alcançado. Sua humildade (com a qual ele começou) e seus sofrimentos foram recompensados justamente pelo honra mais alta; e o seu exercício de paciência e piedade para com Gollum ganhou sua Misericórdia: seu fracasso foi reparado. Somos criaturas finitas com limitações absolutas sobre os poderes de nossa estrutura alma-corpo tanto em ação quanto resistência. O fracasso moral só pode ser afirmado, eu acho, quando o esforço de um homem ou resistência não chegam perto de seus limites, e a culpa diminui quando esse limite mais perto se aproxima.



Todavia, penso que pode ser observado em história e experiência que alguns indivíduos parecem ser colocados em posições de “sacrifício”: situações ou tarefas que para a perfeita solução requerem poderes além de seus limites extremos, até mesmo além de todos os possíveis limites para uma criatura encarnada em um mundo físico - no qual um corpo possa ser destruído, ou tão mutilado a ponto de afetar a mente e determinação. O julgamento sobre qualquer caso como este deveria depender então dos motivos e da disposição com os quais ele começou, e deveria pesar suas ações contra a possibilidade máxima de seus poderes, por toda a jornada até aquilo que colocasse em prova o seu limite.



Frodo empreendeu sua missão por amor - para salvar o mundo ele sabia que custaria seu próprio sacrifício, se ele pudesse; e também em completa humildade, reconhecendo que era completamente inadequado à tarefa. Seu compromisso real era só fazer o que pudesse, tentar achar um caminho, e ir tão longe na jornada quanto sua força da mente e do corpo permitissem. Ele o fez. Eu mesmo não vejo que a ruína de sua mente e vontade sob pressão demoníaca depois do tormento fosse mais um fracasso moral que a ruína de seu corpo teria sido - digamos, sendo estrangulado por Gollum, ou esmagado por uma pedra caída. Este parece ter sido o julgamento de Gandalf e Aragorn, e de todos que conheceram a história completa de sua jornada. Certamente nada foi ocultado por Frodo! Mas o que o próprio Frodo pensou sobre os eventos é decididamente outra questão. Ele parece a princípio não ter tido nenhum senso de culpa (pág. 1003-1004); sua sanidade e paz foram restauradas. Entretanto ele pensou que tinha dado sua vida em sacrifício: ele esperava morrer muito em breve. Mas isso não aconteceu, e pôde-se observar a inquietação crescendo nele. Arwen foi a primeira a observar os sinais, e deu sua jóia para confortá-lo, e pensou em um modo de curá-lo.



Lentamente ele enfraquece “fora de cena”, dizendo e fazendo cada vez menos. Acho que está claro para a reflexão de um leitor atento que quando os tempos escuros o atingiam e ele estava consciente de ter sido “ferido por faca, ferrão e dente, sem falar no fardo que carreguei por tanto tempo” (pág. 1048) não era só recordações do pesadelo de horrores passados que o afligiram, mas também remorso ilógico: ele viu a si mesmo e tudo aquilo que fez como um fracasso desanimador. “Entretanto eu posso voltar ao Condado, ele não parecerá o mesmo, porque eu não serei o mesmo.” Isso foi de fato uma tentação vinda do Escuro, uma última centelha de orgulho: desejar ter retornado como um “herói”, não contente em ser um mero instrumento do bem. E estava mesclada à outra tentação, mais negra e ainda (de certo modo) mais merecida, porém que pode ser explicada, ele não tinha de fato jogado fora o Anel por um ato voluntário: ele foi tentado a lamentar sua destruição, e ainda desejá-la. “Foi-se para sempre, e agora tudo está escuro e vazio”, ele disse quando despertou do mal em 1420. “É lamentável, mas há certos ferimentos que não podem ser totalmente curados”, disse Gandalf (pág. 1048) - não na Terra-média. Frodo foi enviado ou permitido seguir para o Mar para curar-se - se isso pudesse ser feito, antes que morresse.



Ele finalmente “partiu”: nenhum mortal pôde, ou pode, agüentar para sempre na terra, ou em seu Tempo. Assim ele foi tanto para um purgatório e para uma recompensa, por algum tempo: um período de reflexão e paz e ganho de uma compreensão mais verdadeira de sua posição em pequenez e em grandeza, desfrutando ainda o seu Tempo entre as belezas naturais da “Arda Imaculada”, a Terra não violada pelo mal.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A torre forte e a ventoinha

Nas pequenas cidades da idade média, encontram-se não raro vestígios de fortalezas e castelos; e, mesmo onde as construções estão reduzidas a algumas pedras, não é difícil achar quase intacta a alta torre do velho castelo. Ora, essas torres que viram desaparecer tantos séculos e que a seus pés contemplam, com olhar impassível, o turbilhão da vida moderna, como dão bem uma idéia do caráter firme! Em baixo delas, tudo muda, tudo se transforma, tudo evolue; vende-se e compra-se; a elas, porém, nada nem ninguém pode alterar-lhes o granito.

Antigas torres, que são o símbolo do caráter inabalável, do homem que cumpre o seu dever virilmente. Outrora, a torre era o melhor refúgio dos habitantes do castelo; hoje, o homem de caráter firme é o melhor sustentáculo da sociedade. "Nunca abandones o lugar em que a vocação te colocou, e cumpre-lhe todos os deveres" - parecem dizer-nos aquelas pedras mudas. "Considera o número de anos exigidos para a minha construção, quantas pedras foram precisas, e quanto trabalho, bôa vontade, quanto suor! Mas tudo isso não foi em vão. Sobreveio a centenas e centenas de anos!"

Acaso, meu jovem, não te deixas desalentar facilmente na  tua bôa vontade? Quantas vezes não te arrojaste pelo bom caminho, cheio de ardor varonil! Quantas vezes não prometeste trabalhar seriamente no desenvolvimento do teu caráter! Mas, ao cabo de algumas horas, de alguns dias quando muito, a chama do entusiasmo minguava, o ardor desaparecia, e tornavas a ser o mesmo, não é verdade? Foram precisos anos, dezenas de anos, talvez, para levantar a torre; e tu, querias tornar-te homem de caráter num só dia! Bem sabes, entretanto, que se o caminho do pecado é agradável e semeado de flores deliciosas no começo, desilusão terrível cedo nele aguarda o pecador; - e que, se é difícil ser virtuoso no início, esse caminho em breve se torna cada vez menos duro, e sempre, no seu têrmo, se acha a paz duma consciência tranquila.

Mas, que é que eu vejo lá, no cimo daquela velha torre?... aquela coisa que nunca fica no lugar, que vira para a direita e para a esquerda?... Uma ventoinha! Não tem direção fixa, nem sabe estável. Vejo-me quase tentado a dizer que ela não tem princípios nem caráter. Porquanto, se os tivesse, por mais que o vento soprasse, ela não lhe obedeceria. - Abandonar seus princípios, agir contra as próprias convicções, por ser mais cômodo, porque isso assegura uma carreira melhor, porque, à volta de si o vento sopra de outro lado, - é próprio de ventoinha. Mas dize-me, amigo, merece o nome de homem aquele que nas suas ações, princípios e convicções se deixa guiar pelas circunstâncias exteriores e pelos conselhos dos companheiros?

E entretanto, quantos desses jovens não há! Conheces dúzias deles, e eu também. São todos os que não sabem andar com os próprios pés, que, espiritualmente são menores ainda, que olham sempre para a direita e para a esquerda, a verem o que faz o vizinho.

Eis aqui um a quem a consciência avisa: "Não leias esse livro: ouviste dizer que ele é cheio de imundície moral. Por que haverias de deixar a veste branca de tua alma, arrastar-se na água pútrida desse pantanal infecto?" - Está bem, não o lerá. - Chega, porém um colega: "Oh! santinho do pau ôco, criança!", escarnece. - "Eu, criança?", e ei-lo que retorna o livro, e o lê até à última linha e enxovalha a alma na lama que ele encerra.

Agora outro, a quem a consciência diz ainda: "Não vás à exibicação de tal peça, de tal filme! Deixa tal companhia perigosa! - "Como fazer? Os outros lá vão; os outros assim se divertem bastante. Serei o único a lhes fazer frente?".

Ora, meu filho, é exatamente esse o modo de pensar e agir dos ventoinhas.

Pois bem, escolhe. Que preferes ser, uma torre forte ou uma ventoinha? Escravo do mêdo do "que hão de dizer", ou escravo de tua própria consciência?

Dom Tihamer Toth.
O Moço de Caráter.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Um patrono à altura


Vivemos atualmente a dissolução de uma sociedade edificada ao longo de milênios. É uma longa e bela construção, fundada na filosofia grega e no personalismo judaico-cristão, e burilada ao longo dos séculos. Essa sociedade nos deu a noção de que todos têm direitos inalienáveis; que a natureza pode e deve ser estudada e, ao mesmo tempo, preservada; que o Belo e o Bom têm valor. Deu-nos as universidades, a democracia representativa, o reconhecimento da dignidade dos mais fracos.

Este imenso patrimônio cultural é a herança a que cada brasileiro tem – ou teria – direito. O que vemos, contudo, é o oposto. Mais de um terço dos universitários são analfabetos funcionais. As escolas servem à doutrinação política e à “desmitificação” dos valores da nossa sociedade, deixando de lado o ensino e a preservação da cultura.

Paulo Freire, um dos maiores culpados deste estado de coisas no Brasil, recebeu, com razão, o título de “Patrono da Educação Brasileira”. É justo que ele seja o patrono de uma “educação” que não é capaz de ensinar a ler e escrever, mas que martela nos alunos uma visão tão deturpada do mundo que é mais fácil encontrar dez estudantes que creiam que a luta de classes é uma lei da natureza que achar um que saiba enunciar a Segunda Lei da Termodinâmica.

A História e a Geografia passam a ser apenas denúncia de supostas monstruosidades; o vernáculo, na melhor das hipóteses, uma tentativa de reproduzir a verbalidade. As ciências – deixadas quase de lado –, uma sucessão de conteúdos “bancários”, no dizer dos seguidores do falso profeta recifense. Faz-se força para enfiar alguma ideologia nas ciências, mas não há luta de classes na Química ou opressão econômica na Física. Fica difícil.

Só o que fez este triste patrono foi descobrir que o aluno é um público cativo para a doutrinação marxista. A educação deixa de ser uma abertura para o mundo, uma chance de tomar posse de nossa herança cultural, e passa a ser apenas a isca com a qual se há de fisgar mais um inocente útil para destruir a herança que não conhece.

As matérias pedagógicas da licenciatura resumem-se hoje à repetição incessante, em palavras levemente diferentes, das mesmas inanidades iconoclastas. Os cursos da área de Humanas, com raras exceções, são mais do mesmo, sem outra preocupação que não acusar aquilo que não se dá ao aluno a chance de conhecer. O que seria direito dele receber como herança.

Paulo Freire é o patrono da substituição de conhecimento por ideologia, de aprendizado por lavagem cerebral. Merece o título.

sábado, 6 de outubro de 2012

III Fórum da Juventude Conservadora do Oeste Paranaense


O III Fórum da Juventude Conservadora do Oeste Paranaense será realizado no dia 20 de Outubro, no Sindicato Rural Patronal de Toledo - Paraná, localizado na Av. Sete de Setembro, centro da cidade.

Desta vez o evento abordará os temas do Direito à Vida em face dos Direitos Humanos da ONU e também a questão de magna importância para o Brasil da hora presente: Os Desvarios do Anteprojeto do Novo Código Penal.

 Contamos com sua presença!

Para mais informações, pode-se entrar em contato conosco:

(45) 9944-4529

andrerrinaldi@live.it

domingo, 30 de setembro de 2012

O valor do pudor

Por Dom Tihamér Tóth

Talvez venham a zombar da tua atitude reservada, por não te sentires à vontade no meio de conversas estercorosas e de corares logo que ouvires uma palavra imprópria. Meu filho, orgulha-te disso! Orgulha-te de poderes corar!
O pudor em nós não é "criancice", "ingenuidade", "hipocrisia" - como eles dizem, - senão um ato de valor incalculável, uma arma recebida da natureza, que defende, quase sem que o percebamos, a parte mais nobre da nossa pessoa contra os maus pensamentos. Para o jovem o pudor, que defende quase instintivamente contra a impureza a sua alma delicada, é precioso tesouro.
É um poderoso dique contra as ondas da imoralidade, que todos os lados rebentam contra a nossa alma... Lembra-te desta bela máxima de Santo Agostinho:
"Não odeies os homens por causa dos seus erros e das suas faltas, mas não estimes as faltas e os erros por amor dos homens".
É covarde quem não sabe tolerar, contra as suas convicções, algumas contrariedades. Outrora débeis crianças, sem dizerem palavra e por amor de Cristo, se deixaram despedaçar por animais ferozes. Aos quatorze anos São Vito sorria ao mergulharem-no em azeite fervente - por amor de Cristo; e aos treze anos São Pelágio suportava que durante seis horas lhe arrancassem os membros, um após outro, - também por amor de Cristo.

As zombarias e chalaças de teus companheiros imundos compreendem-se muito bem. A tua presença é molesta aos que se esponjam no esterquilínio. E como olham esses salafrários com tanta raiva para quem não quer deitar-se junto com eles no muladar! A rã, ainda que esteja sentada num tronco, salta sempre para o charco, pois só ali é que se sente à vontade.
Talvez conheças esta velha máxima: Sunt, a quibus vituperari laudari est: há certas censuras que para nós são o maior louvor. E podes crer que, se o asno injuria a rosa, é porque esta não usa ferraduras.
Sempre me admirei muito de que se desse importância ao julgamento dessas almas desviadas. Creio saberes que em Pisa, na Itália, a torre da catedral é inclinada. Ora, se essa torre inclinada pudesse pensar, certamente desprezaria todas as outras torres do mundo: "É admirável que, de todas as torres, seja eu a única em boa posição!"
Não ouviste falar no que aconteceu a uma aldeiazinha oculta na montanha, onde todos os habitantes eram papudos em razão da água e da vida que levavam? Certo dia, alguns turistas passaram por ali. Apresentavam ótima saúde; entretanto, os papudos correram atrás deles, fazendo grande alarido, rindo e chocarreando: "Vede só!... Homens que não têm papo!"
Em todas as lutas fortifica em ti esta santa resolução: Quem não quer perder o seu caráter e a dignidade da sua pessoa, tornando-se escravo dos instintos, não deve entregar-se aos prazeres proibidos. Quem dá importância ao caráter e quer desenvolver harmoniosamente a sua personalidade, cumpre que vele, como se se tratasse de um tesouro, pela sua integridade física e moral, até ao sacramento do matrimônio (e também depois), que Deus instituiu para ele.
"É valente quem vence um leão - escreve Helder, - é valente quem submete o mundo; porém mais valente ainda é aquele que se vence a si próprio".
O teu bigode cresce por si mesmo, as tuas pernas por si mesmas se tornam mais compridas, mas o verdadeiro caráter viril não se desenvolve por si próprio. Assim, também, deves lutar e arrancar todos os dias um pedaço à tua fraqueza inata, mediante séria abnegação e trabalho verdadeiramente consciente.
Fonte.
Grifos nossos.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Arma é Civilização

Major L. Caudill - Corpo de Fuzileiros dos EUA
Tradução de Ricardo Jung (Colaborador do Movimento Viva Brasil)

As pessoas só possuem duas maneiras de lidar umas com as outras: pela razão e pela força. Se você quer que eu faça algo para você, você tem a opção de me CONVENCER VIA ARGUMENTOS ou me obrigar a me submeter à sua vontade pela FORÇA. Todas as interações humanas recaem em uma dessas duas categorias, SEM EXCEÇÕES. Razão ou força, só isso. Em uma sociedade realmente moral e civilizada, as pessoas somente interagem pela PERSUASÃO. A força não tem lugar como método válido de interação social e a única coisa que remove a força da equação é uma arma de fogo (de uso pessoal), por mais paradoxal que isso possa parecer.

Quando eu porto uma arma, você não pode lidar comigo pela força. Você precisa usar a Razão para tentar me persuadir, porque eu possuo uma maneira de anular suas ameaças ou uso da Força.


A arma de fogo é o único instrumento que coloca em pé de igualdade uma mulher de 50 Kg e um assaltante de 105 Kg, um aposentado de 75 anos e um marginal de 19, e um único indivíduo contra um carro cheio de bêbados com bastões de baseball.

A arma de fogo remove a disparidade de força física, tamanho ou número entre atacantes em potencial e alguém se defendendo. Há muitas pessoas que consideram a arma de fogo como a causa do desequilíbrio de forças. São essas pessoas que pensam que seríamos mais civilizados se todas as armas de fogo fossem removidas da sociedade, porque uma arma de fogo deixaria o trabalho de um assaltante (armado) mais fácil. Isso, obviamente, somente é verdade se a maioria das vítimas em potencial do assaltante estiver desarmada, seja por opção, seja em virtude de leis – isso não tem validade alguma se a maioria das potenciais vítimas estiver armada.

Quem advoga pelo banimento das armas de fogo opta automaticamente pelo governo do Jovem, do Forte e dos em maior número, e isso é o exato oposto de uma sociedade civilizada. Um marginal, mesmo armado, só consegue ser bem sucedido em uma sociedade onde o Estado lhe garantiu o monopólio da força.

Há também o argumento de que as armas de fogo transformam em letais confrontos que de outra maneira apenas resultariam em ferimentos. Esse argumento é falacioso sob diversos aspectos. Sem armas envolvidas, os confrontos são sempre vencidos pelos fisicamente superiores, infligindo ferimentos seríssimos sobre os vencidos.

Quem pensa que os punhos, bastões, porretes e pedras não constituem força letal, estão assistindo muita TV, onde as pessoas são espancadas e sofrem no máximo um pequeno corte no lábio. O fato de que as armas aumentam a letalidade dos confrontos só funciona em favor do defensor mais fraco, não do atacante mais forte. Se ambos estão armados, o campo está nivelado.

A arma de fogo é o único instrumento que é igualmente letais nas mãos de um octogenário quanto de um halterofilista. Elas simplesmente não funcionariam como equalizador de Forças se não fossem igualmente letais e facilmente empregáveis.

Quando eu porto uma arma, eu não o faço porque estou procurando encrenca, mas por que espero ser deixado em paz. A arma na minha cintura significa que eu não posso ser Forçado, somente persuadido. Eu não porto porque tenho medo, mas porque ela me permite não ter medo. Ela não limita as ações daqueles que iriam interagir comigo pela razão, somente daqueles que pretenderiam fazê-lo pela força. Ela remove a força da equação... E é por isso que portar uma arma é um ato civilizado.