quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

The Girl, e a injustiça sobre Hitchcock

O filme inglês The Girl (2012), produzido pela BBC sobre uma possível relação controversa entre o talentoso cineasta Alfred Hitchcock (aqui já citado em outro post) e a protagonista de The Birds (no Brasil, Os Pássaros) e Marnie (no Brasil, Marnie - Confissão de uma ladra), a atriz Tippi Hedren vem causando um levante em defesa do caráter do grande diretor.


The Girl é dirigido por Julian Jarrold (Amor e Inocência) e conta com roteiro adaptado por Gwyneth Hughes (Sob a Pele) a partir de duvidosos livros biográficos do autor norte-americano Donald Spoto (conhecido autor de Francisco de Assis, o Santo Relutante, que transforma a imagem de São Francisco em um humanista inter-religioso): The Dark Side of Genius: The Life of Alfred Hitchcock de 1983 e Spellbound by Beauty: Alfred Hitchcock and His Leading Ladies de 2008. Em noventa minutos de uma má qualidade de atuação, o filme tenta mostrar uma paixão excessiva de Alfred Hitchcock à Tippi Hedren.


A atriz de Tippi Hedren de 82 anos é interpretada por Sienna Miller, e no filme seria vítima de contínuas moléstias sexuais e de abusos de todo tipo pelo então diretor, durante as gravações de seus dois filmes Marnie e The Birds.


No entanto, o famoso biógrafo de Hitchcock, Tony Lee Moral, autor de três livros sobre o diretor (inclusive dois deles escritos entre os makings de seus filmes abordados no livro de Donald Spoto: The Making of Hitchcock's The Birds e Hitchcock and the making of Marnie) esclarece em The Telegraph que tais histórias imorais sobre Hitchcock e Tippi Hedren servem apenas para macular falsamente a imagem do diretor.


Grandes outras atrizes, que foram marcos no cinema, e musas nas filmagens de Hitchcock vieram também em sua defesa, algumas delas em entrevista ao jornal britânico The Telegraph:


Eve Maria Saint no filme
Intriga Internacional
“Minha experiência com Hitchcock foi de total respeito, cordialidade, simpatia e humor, e North by Northwest foi um momento glorioso em minha vida, Hitchcock foi um gentleman, ele era engraçado, muito atencioso para comigo e com tudo o que minha personagem precisava” disse Eve Marie Saint, que estrelou o filme conhecido no Brasil por Intriga Internacional.



Doris Day
Doris Day, que estrelou The Man Who Knew Too Much com Jimmy Stewart diz sobre o grande diretor: “Ele era apenas ‘Mr. Hitchcock’, maravilhoso, um grande diretor e um ótimo amigo. Eu amei trabalhar com ele.”


Kim Novak, a estrela de Vertigo, também defende Hitchcock: “Ele é um grande diretor e certamente um para ser estudado. Ele era um perfeccionista!”


Entre outros que vieram em sua defesa, esteve Virginia Darcy, cabeleireira conjunta durante as gravações de The Birds e Marnie.


Nora Brown, viúva de Jim Brown, diretor-assistente de The Birds e Marnie, também colocou o filme da BBC sob fogo, pois contribuiu para a realização do filme sobre Hitchcock, pensando ser um retrato afetuoso do diretor. Em entrevista ao The Daily Telegraph, ela diz: “Ele [Jim Brown] não tinha nada além de respeito e admiração por Hitchcock, compreendendo sua personalidade cockney inteligente e bem-humorada, e sempre o achou um gênio”. “Se aqui ele estivesse hoje, duvido que teria algum comentário negativo [a Hitchcock]. Ele estaria triste com a imagem mal-retratada de seu amigo e mentor”, completou Nora Brown.

A fome na Ucrânia e a perversidade comunista

Robert Conquest, famoso historiador sobre a União Soviética, em seu livro The Harvest of Sorrow, cita o testemunho de um ativista soviético sobre o roubo de alimentos das famílias ucranianas que ainda resistiam à barbárie comuno-soviética, roubo e confisco este, ordenado por Stálin, e cruelmente cumprido por soldados soviéticos em todo o território ucraniano, gerando assim uma catástrofe de milhões de mortos de fome, doenças psicológicas severas, e até mesmo canibalismo entre desesperados camponeses:


Eu ouvi as crianças... engasgando sufocadas, tossindo e gritando de dor e de fome.  Era doloroso ver e ouvir tudo aquilo.  E ainda pior era participar de tudo aquilo.... Mas eu consegui me persuadir, me convencer e explicar a mim mesmo que aquilo era necessário.  Eu não poderia ceder; não poderia me entregar a uma compaixão debilitante .... Estávamos efetuando nosso dever revolucionário.  Estávamos obtendo cereais para a nossa pátria socialista....

Nosso objetivo maior era o triunfo universal do comunismo, e, em prol desse objetivo, tudo era permissível — mentir, enganar, roubar, destruir centenas de milhares e até mesmo milhões de pessoas...





Era assim que eu e meus companheiros raciocinávamos, mesmo quando... eu vi o real significado da "coletivização total" — como eles aniquilaram os kulaks, como eles impiedosamente arrancaram as roupas dos camponeses no inverno de 1932-33.  Eu mesmo participei disso, percorrendo a zona rural, procurando por cereais escondidos.... Junto com meus companheiros, esvaziei as caixas e os baús onde as pessoas guardavam seus alimentos, tampando meus ouvidos para não ouvir o choro das crianças e a lamúria suplicante das mulheres.  Eu estava convencido de que estava realizando a grande e necessária transformação da zona rural; e que nos dias vindouros as pessoas que viveriam ali estariam em melhor situação por minha causa.


Na terrível primavera de 1933, vi pessoas literalmente morrendo de fome. Vi mulheres e crianças com barrigas inchadas, ficando azuis, ainda respirando mas com um olhar vago e sem vida.... Eu não perdi a minha fé.  Assim como antes, eu acreditava porque eu queria acreditar.





Em uma choupana, era comum haver algum tipo de guerra entre a família.  Todos vigiavam estritamente todos os outros.  As pessoas brigavam por migalhas, tomando restos de comida umas das outras.  A esposa se voltava contra o marido e o marido, contra ela.  A mãe odiava os filhos.  Já em outra choupana, o amor permaneceria inviolável até o último suspiro da família.  Eu conheci uma mulher que tinha quatro filhos.  Ela costumava lhes contar lendas e contos de fadas com a intenção de fazê-los esquecer a fome.  Sua própria língua mal podia se mover, mas mesmo assim ela se esforçava para colocá-los em seus braços, ainda que ela mal tivesse forças para levantar seus braços quando eles estavam vazios.  O amor vivia dentro dela.  E as pessoas notaram que, onde havia ódio, as pessoas morriam mais rapidamente.  Entretanto, o amor não salvou ninguém.  Todo o vilarejo sucumbiu; todos juntos, sem exceção.  Não restou uma só vida.




Robert Conquest em seu livro, calcula a terrível soma de aproximadamente 14,5 milhões de mortos pela fome na Ucrânia. Mais uma horrenda mostra do que é capaz a perversidade comunista para implantar a todo custo sua completa animalização do homem.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A mór Beleza


Dos Céus à terra desce a mór beleza,
une-se à carne nossa e fá-la nobre;
e, sendo a humanidade dantes pobre,
hoje subida fica à mór alteza.

Busca o Senhor mais rico a mór pobreza
que, como ao mundo o seu amor descobre,
de palhas vis o corpo tenro cobre,
e por elas o mesmo Céu despreza.

Como Deus em pobreza à terra desce?
O que é mais pobre tanto lhe contenta
que só rica a pobreza lhe parece.

Pobreza este Presépio representa.
Mas tanto, por ser pobre, já merece
que quanto é pobre mais, mais lhe contenta.

(Camões, Soneto 136)


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Como preparar-se para o Natal?

Por São João de Ávila, sermão pregado no terceiro Domingo do Advento.

Uma palavra para todos os que quiserdes receber a Deus neste Natal: - "Padre, eu amo a Deus, que farei?" Se tiverdes a casa suja, varrei-a; se houver poeira, pegai em água e molhai-a. 

Haverá aqui alguns que não varrem a casa há dez meses ou mais, Existirá mulher tão desleixada que, tendo uma marido muito asseado, fique dez meses sem varrer a casa? Há quanto tempo não vos confessais? Irmãos, não vos pedi na Quaresma passada que vos acostumásseis a confessar-vos algumas vezes no ano? Pelo menos no Natal, nos dias de Nossa Senhora e em outras festas religiosas importantes do ano, mas penso que vos esquecestes. Praza a Nosso Senhor que não vos exijam contas disso no dia do Juízo. E se disserdes então: - "Eu não sabia, por isso não me confessei", dir-vos-ão: - "Bem que vo-lo disseram, bem que vo-lo gritaram, muito se afadigaram em alertar-vos; agora de nada serve puxar os cabelos porque antes não o quisestes fazer".

Irmãos, pecamos todos os dias. Se até hoje fostes preguiçosos em varrer a vossa casa, pegai agora na vassoura, que é a vossa memória. Lembrai-vos do que fizestes ofendendo a Deus e do que deixastes de fazer a seu serviço; ide ao confessor e jogai fora todos os vossos pecados, varrei e limpai vossa casa. 


Depois de varrida, molhai o chão. - "Mas não posso chorar, padre". E se vos morre o marido ou o filho, ou se perdeis um pouco do vosso dinheiro, não chorais? - "Claro que choro, padre, e tanto que quase chego ao desespero". Pobres de nós que, se perdemos um pouco de dinheiro, não há quem nos possa consolar, mas se nos sobrevém um mal tão grande como perder a Deus - pois isso acontece a quem peca -, o nosso coração é de tal forma uma pedra que são necessários muitos pregadores, confessores e admoestadores para que sintamos um pouco de tristeza! Mais valorizas o real perdido do que o Deus que perdes. Quando perdes uma quantia insignificante, não há quem consiga consolar-te, nem frades, nem padres, nem amigos, nem parentes. E, no entanto, não te entristeces quando perdes nada menos que o próprio Deus. Que significa isto, senão que tens tanta terra nos canais entre o coração e os olhos que a água não pode passar? 

- "Que me leva a ter o coração tão duro e a não poder chorar?" De todos os tempos apropriados que há ao longo do ano, este é o mais apropriado para os duros de coração. Valorizai o tempo santo em que estamos, considerai esta semana como a mais santa de todas do ano. É uma semana santa, e se a aproveitardes bem e vos preparardes como já sabeis, certamente vos será tirada a dureza do coração.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A Arte Moderna e a negação do homem

O visitante que percorre as galerias de um grande museu de arte ocidental admira, século após século, o esforço criador dos retratistas empenhados em embelezar a forma do homem e sua face, em que se inscreve a vocação da pessoa para a inteligência e para a beleza.
Giovanni Arnolfini e sua esposa - Jan Van Eyck, 1434 - National Gallery, Londres
Tudo muda, uma vez ultrapassado o limiar do museu de arte contemporânea. A forma e a figura do ser humano se desagregam; pela magia de uma operação diabólica, os traços se decompõem, os olhos, a boca, o nariz, a testa, as orelhas rompem sua aliança milenar e se dispersam ao acaso num espaço aberrante em que não se reconhecem mais os contornos familiares. As cores são afetadas por uma exasperação maníaca, ou por vezes por uma pustulência cadavérica. 
O Homem das Sete-Cores - Anita Malfatti, 1915
Estas ruínas de sentido, estes restos de humanidade se perderam por sua vez e se vêem aparecer telas cheias de formas geométricas, de manchas coloridas, dispersas ao acaso sobre uma superfície onde mais nada de humano persiste, onde nenhuma vontade inteligível se deixa ler. A arte, que foi celebração e comemoração da realidade humana, apaga-se na negação desta realidade, deserto de significação em que nada mais merece ser posto em destaque. Os visitantes do museu de arte contemporânea desfilam gravemente diante dessas telas; ninguém protesta, ninguém se encoleriza. Talvez viessem a este lugar impelidos apenas pelo esnobismo e pela tolice que admira sem compreender. Mas talvez sintam obscuramente que estão aqui confrontados com o atestado irrefutável de sua própria negação.

(Georges Gusdorf - A Agonia da Nossa Civilização)

sábado, 17 de novembro de 2012

O verdadeiro herói no pequeno Frodo Bolseiro

Trecho da carta de J. R. R. Tolkien enviada à Sra. Eileen Elgar em setembro de 1963, onde a leitora comenta sobre o fracasso de Frodo em se render ao Anel nas Fendas da Perdição.

Muitos poucos (de fato até onde vejo pelas cartas que chegam só você e um outro) observaram ou comentaram sobre o “fracasso” de Frodo. É um ponto muito importante. Do ponto de vista do contador de histórias os eventos na Montanha da Perdição procedem simplesmente da lógica do conto até aquele tempo. Eles não foram trabalhados deliberadamente para que não fossem previstos até que eles acontecessem. Mas, primordialmente, ficou finalmente bem claro que Frodo depois de tudo o que tinha acontecido seria incapaz de destruir o Anel voluntariamente.

Refletindo sobre a solução depois que fosse alcançada (como um mero evento) e sinto que é central à toda “teoria” de verdadeira nobreza e heroísmo que é apresentada. Frodo realmente “falhou” como um herói, como concebido por mentes simples: ele não suportou até o fim; ele cedeu, rendeu-se. Não digo “mentes simples” com desprezo: elas freqüentemente vêem com clareza a verdade simples e o ideal absoluto para os quais os esforços devem ser dirigidos, até mesmo se for inacessível. Porém, sua fraqueza é duplicada. Elas não percebem a complexidade de qualquer determinada situação no Tempo, na qual um ideal absoluto é enredado. Elas tendem a esquecer daquele estranho elemento no Mundo que chamamos Piedade ou Clemência, que também são exigências absolutas no juízo moral (uma vez que está presente na natureza Divina). Em seu exercício mais alto pertence a Deus. Para juízes finitos de conhecimento imperfeito ele pode levar ao uso de duas medidas diferentes de “moralidade”. Para nós mesmos temos que apresentar o ideal absoluto sem compromisso, porque não sabemos nossos próprios limites de força natural (+virtude), e se não almejarmos o mais alto certamente não atingiremos o máximo que poderíamos alcançar. Para outros, no caso de sabermos o bastante para fazer um julgamento, temos que aplicar uma balança moderada por “piedade”: quer dizer, já que nós podemos com boa fé fazer isto sem o preconceito inevitável em julgamentos de nós mesmos, temos que calcular os limites da força alheia e temos que pesar isto contra a força de circunstâncias particulares.


Eu não penso que o de Frodo foi um fracasso moral. Na última hora a pressão do Anel alcançou seu máximo - impossível, eu deveria ter dito, para qualquer um resistir, especialmente depois de tão longa possessão, meses de crescente tormento, e já faminto e exausto. Frodo tinha feito o que ele pôde e se esgotou completamente (como um instrumento da Providência) e tinha criado uma situação na qual o objetivo de sua missão poderia ser alcançado. Sua humildade (com a qual ele começou) e seus sofrimentos foram recompensados justamente pelo honra mais alta; e o seu exercício de paciência e piedade para com Gollum ganhou sua Misericórdia: seu fracasso foi reparado. Somos criaturas finitas com limitações absolutas sobre os poderes de nossa estrutura alma-corpo tanto em ação quanto resistência. O fracasso moral só pode ser afirmado, eu acho, quando o esforço de um homem ou resistência não chegam perto de seus limites, e a culpa diminui quando esse limite mais perto se aproxima.



Todavia, penso que pode ser observado em história e experiência que alguns indivíduos parecem ser colocados em posições de “sacrifício”: situações ou tarefas que para a perfeita solução requerem poderes além de seus limites extremos, até mesmo além de todos os possíveis limites para uma criatura encarnada em um mundo físico - no qual um corpo possa ser destruído, ou tão mutilado a ponto de afetar a mente e determinação. O julgamento sobre qualquer caso como este deveria depender então dos motivos e da disposição com os quais ele começou, e deveria pesar suas ações contra a possibilidade máxima de seus poderes, por toda a jornada até aquilo que colocasse em prova o seu limite.



Frodo empreendeu sua missão por amor - para salvar o mundo ele sabia que custaria seu próprio sacrifício, se ele pudesse; e também em completa humildade, reconhecendo que era completamente inadequado à tarefa. Seu compromisso real era só fazer o que pudesse, tentar achar um caminho, e ir tão longe na jornada quanto sua força da mente e do corpo permitissem. Ele o fez. Eu mesmo não vejo que a ruína de sua mente e vontade sob pressão demoníaca depois do tormento fosse mais um fracasso moral que a ruína de seu corpo teria sido - digamos, sendo estrangulado por Gollum, ou esmagado por uma pedra caída. Este parece ter sido o julgamento de Gandalf e Aragorn, e de todos que conheceram a história completa de sua jornada. Certamente nada foi ocultado por Frodo! Mas o que o próprio Frodo pensou sobre os eventos é decididamente outra questão. Ele parece a princípio não ter tido nenhum senso de culpa (pág. 1003-1004); sua sanidade e paz foram restauradas. Entretanto ele pensou que tinha dado sua vida em sacrifício: ele esperava morrer muito em breve. Mas isso não aconteceu, e pôde-se observar a inquietação crescendo nele. Arwen foi a primeira a observar os sinais, e deu sua jóia para confortá-lo, e pensou em um modo de curá-lo.



Lentamente ele enfraquece “fora de cena”, dizendo e fazendo cada vez menos. Acho que está claro para a reflexão de um leitor atento que quando os tempos escuros o atingiam e ele estava consciente de ter sido “ferido por faca, ferrão e dente, sem falar no fardo que carreguei por tanto tempo” (pág. 1048) não era só recordações do pesadelo de horrores passados que o afligiram, mas também remorso ilógico: ele viu a si mesmo e tudo aquilo que fez como um fracasso desanimador. “Entretanto eu posso voltar ao Condado, ele não parecerá o mesmo, porque eu não serei o mesmo.” Isso foi de fato uma tentação vinda do Escuro, uma última centelha de orgulho: desejar ter retornado como um “herói”, não contente em ser um mero instrumento do bem. E estava mesclada à outra tentação, mais negra e ainda (de certo modo) mais merecida, porém que pode ser explicada, ele não tinha de fato jogado fora o Anel por um ato voluntário: ele foi tentado a lamentar sua destruição, e ainda desejá-la. “Foi-se para sempre, e agora tudo está escuro e vazio”, ele disse quando despertou do mal em 1420. “É lamentável, mas há certos ferimentos que não podem ser totalmente curados”, disse Gandalf (pág. 1048) - não na Terra-média. Frodo foi enviado ou permitido seguir para o Mar para curar-se - se isso pudesse ser feito, antes que morresse.



Ele finalmente “partiu”: nenhum mortal pôde, ou pode, agüentar para sempre na terra, ou em seu Tempo. Assim ele foi tanto para um purgatório e para uma recompensa, por algum tempo: um período de reflexão e paz e ganho de uma compreensão mais verdadeira de sua posição em pequenez e em grandeza, desfrutando ainda o seu Tempo entre as belezas naturais da “Arda Imaculada”, a Terra não violada pelo mal.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A torre forte e a ventoinha

Nas pequenas cidades da idade média, encontram-se não raro vestígios de fortalezas e castelos; e, mesmo onde as construções estão reduzidas a algumas pedras, não é difícil achar quase intacta a alta torre do velho castelo. Ora, essas torres que viram desaparecer tantos séculos e que a seus pés contemplam, com olhar impassível, o turbilhão da vida moderna, como dão bem uma idéia do caráter firme! Em baixo delas, tudo muda, tudo se transforma, tudo evolue; vende-se e compra-se; a elas, porém, nada nem ninguém pode alterar-lhes o granito.

Antigas torres, que são o símbolo do caráter inabalável, do homem que cumpre o seu dever virilmente. Outrora, a torre era o melhor refúgio dos habitantes do castelo; hoje, o homem de caráter firme é o melhor sustentáculo da sociedade. "Nunca abandones o lugar em que a vocação te colocou, e cumpre-lhe todos os deveres" - parecem dizer-nos aquelas pedras mudas. "Considera o número de anos exigidos para a minha construção, quantas pedras foram precisas, e quanto trabalho, bôa vontade, quanto suor! Mas tudo isso não foi em vão. Sobreveio a centenas e centenas de anos!"

Acaso, meu jovem, não te deixas desalentar facilmente na  tua bôa vontade? Quantas vezes não te arrojaste pelo bom caminho, cheio de ardor varonil! Quantas vezes não prometeste trabalhar seriamente no desenvolvimento do teu caráter! Mas, ao cabo de algumas horas, de alguns dias quando muito, a chama do entusiasmo minguava, o ardor desaparecia, e tornavas a ser o mesmo, não é verdade? Foram precisos anos, dezenas de anos, talvez, para levantar a torre; e tu, querias tornar-te homem de caráter num só dia! Bem sabes, entretanto, que se o caminho do pecado é agradável e semeado de flores deliciosas no começo, desilusão terrível cedo nele aguarda o pecador; - e que, se é difícil ser virtuoso no início, esse caminho em breve se torna cada vez menos duro, e sempre, no seu têrmo, se acha a paz duma consciência tranquila.

Mas, que é que eu vejo lá, no cimo daquela velha torre?... aquela coisa que nunca fica no lugar, que vira para a direita e para a esquerda?... Uma ventoinha! Não tem direção fixa, nem sabe estável. Vejo-me quase tentado a dizer que ela não tem princípios nem caráter. Porquanto, se os tivesse, por mais que o vento soprasse, ela não lhe obedeceria. - Abandonar seus princípios, agir contra as próprias convicções, por ser mais cômodo, porque isso assegura uma carreira melhor, porque, à volta de si o vento sopra de outro lado, - é próprio de ventoinha. Mas dize-me, amigo, merece o nome de homem aquele que nas suas ações, princípios e convicções se deixa guiar pelas circunstâncias exteriores e pelos conselhos dos companheiros?

E entretanto, quantos desses jovens não há! Conheces dúzias deles, e eu também. São todos os que não sabem andar com os próprios pés, que, espiritualmente são menores ainda, que olham sempre para a direita e para a esquerda, a verem o que faz o vizinho.

Eis aqui um a quem a consciência avisa: "Não leias esse livro: ouviste dizer que ele é cheio de imundície moral. Por que haverias de deixar a veste branca de tua alma, arrastar-se na água pútrida desse pantanal infecto?" - Está bem, não o lerá. - Chega, porém um colega: "Oh! santinho do pau ôco, criança!", escarnece. - "Eu, criança?", e ei-lo que retorna o livro, e o lê até à última linha e enxovalha a alma na lama que ele encerra.

Agora outro, a quem a consciência diz ainda: "Não vás à exibicação de tal peça, de tal filme! Deixa tal companhia perigosa! - "Como fazer? Os outros lá vão; os outros assim se divertem bastante. Serei o único a lhes fazer frente?".

Ora, meu filho, é exatamente esse o modo de pensar e agir dos ventoinhas.

Pois bem, escolhe. Que preferes ser, uma torre forte ou uma ventoinha? Escravo do mêdo do "que hão de dizer", ou escravo de tua própria consciência?

Dom Tihamer Toth.
O Moço de Caráter.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Um patrono à altura


Vivemos atualmente a dissolução de uma sociedade edificada ao longo de milênios. É uma longa e bela construção, fundada na filosofia grega e no personalismo judaico-cristão, e burilada ao longo dos séculos. Essa sociedade nos deu a noção de que todos têm direitos inalienáveis; que a natureza pode e deve ser estudada e, ao mesmo tempo, preservada; que o Belo e o Bom têm valor. Deu-nos as universidades, a democracia representativa, o reconhecimento da dignidade dos mais fracos.

Este imenso patrimônio cultural é a herança a que cada brasileiro tem – ou teria – direito. O que vemos, contudo, é o oposto. Mais de um terço dos universitários são analfabetos funcionais. As escolas servem à doutrinação política e à “desmitificação” dos valores da nossa sociedade, deixando de lado o ensino e a preservação da cultura.

Paulo Freire, um dos maiores culpados deste estado de coisas no Brasil, recebeu, com razão, o título de “Patrono da Educação Brasileira”. É justo que ele seja o patrono de uma “educação” que não é capaz de ensinar a ler e escrever, mas que martela nos alunos uma visão tão deturpada do mundo que é mais fácil encontrar dez estudantes que creiam que a luta de classes é uma lei da natureza que achar um que saiba enunciar a Segunda Lei da Termodinâmica.

A História e a Geografia passam a ser apenas denúncia de supostas monstruosidades; o vernáculo, na melhor das hipóteses, uma tentativa de reproduzir a verbalidade. As ciências – deixadas quase de lado –, uma sucessão de conteúdos “bancários”, no dizer dos seguidores do falso profeta recifense. Faz-se força para enfiar alguma ideologia nas ciências, mas não há luta de classes na Química ou opressão econômica na Física. Fica difícil.

Só o que fez este triste patrono foi descobrir que o aluno é um público cativo para a doutrinação marxista. A educação deixa de ser uma abertura para o mundo, uma chance de tomar posse de nossa herança cultural, e passa a ser apenas a isca com a qual se há de fisgar mais um inocente útil para destruir a herança que não conhece.

As matérias pedagógicas da licenciatura resumem-se hoje à repetição incessante, em palavras levemente diferentes, das mesmas inanidades iconoclastas. Os cursos da área de Humanas, com raras exceções, são mais do mesmo, sem outra preocupação que não acusar aquilo que não se dá ao aluno a chance de conhecer. O que seria direito dele receber como herança.

Paulo Freire é o patrono da substituição de conhecimento por ideologia, de aprendizado por lavagem cerebral. Merece o título.

sábado, 6 de outubro de 2012

III Fórum da Juventude Conservadora do Oeste Paranaense


O III Fórum da Juventude Conservadora do Oeste Paranaense será realizado no dia 20 de Outubro, no Sindicato Rural Patronal de Toledo - Paraná, localizado na Av. Sete de Setembro, centro da cidade.

Desta vez o evento abordará os temas do Direito à Vida em face dos Direitos Humanos da ONU e também a questão de magna importância para o Brasil da hora presente: Os Desvarios do Anteprojeto do Novo Código Penal.

 Contamos com sua presença!

Para mais informações, pode-se entrar em contato conosco:

(45) 9944-4529

andrerrinaldi@live.it

domingo, 30 de setembro de 2012

O valor do pudor

Por Dom Tihamér Tóth

Talvez venham a zombar da tua atitude reservada, por não te sentires à vontade no meio de conversas estercorosas e de corares logo que ouvires uma palavra imprópria. Meu filho, orgulha-te disso! Orgulha-te de poderes corar!
O pudor em nós não é "criancice", "ingenuidade", "hipocrisia" - como eles dizem, - senão um ato de valor incalculável, uma arma recebida da natureza, que defende, quase sem que o percebamos, a parte mais nobre da nossa pessoa contra os maus pensamentos. Para o jovem o pudor, que defende quase instintivamente contra a impureza a sua alma delicada, é precioso tesouro.
É um poderoso dique contra as ondas da imoralidade, que todos os lados rebentam contra a nossa alma... Lembra-te desta bela máxima de Santo Agostinho:
"Não odeies os homens por causa dos seus erros e das suas faltas, mas não estimes as faltas e os erros por amor dos homens".
É covarde quem não sabe tolerar, contra as suas convicções, algumas contrariedades. Outrora débeis crianças, sem dizerem palavra e por amor de Cristo, se deixaram despedaçar por animais ferozes. Aos quatorze anos São Vito sorria ao mergulharem-no em azeite fervente - por amor de Cristo; e aos treze anos São Pelágio suportava que durante seis horas lhe arrancassem os membros, um após outro, - também por amor de Cristo.

As zombarias e chalaças de teus companheiros imundos compreendem-se muito bem. A tua presença é molesta aos que se esponjam no esterquilínio. E como olham esses salafrários com tanta raiva para quem não quer deitar-se junto com eles no muladar! A rã, ainda que esteja sentada num tronco, salta sempre para o charco, pois só ali é que se sente à vontade.
Talvez conheças esta velha máxima: Sunt, a quibus vituperari laudari est: há certas censuras que para nós são o maior louvor. E podes crer que, se o asno injuria a rosa, é porque esta não usa ferraduras.
Sempre me admirei muito de que se desse importância ao julgamento dessas almas desviadas. Creio saberes que em Pisa, na Itália, a torre da catedral é inclinada. Ora, se essa torre inclinada pudesse pensar, certamente desprezaria todas as outras torres do mundo: "É admirável que, de todas as torres, seja eu a única em boa posição!"
Não ouviste falar no que aconteceu a uma aldeiazinha oculta na montanha, onde todos os habitantes eram papudos em razão da água e da vida que levavam? Certo dia, alguns turistas passaram por ali. Apresentavam ótima saúde; entretanto, os papudos correram atrás deles, fazendo grande alarido, rindo e chocarreando: "Vede só!... Homens que não têm papo!"
Em todas as lutas fortifica em ti esta santa resolução: Quem não quer perder o seu caráter e a dignidade da sua pessoa, tornando-se escravo dos instintos, não deve entregar-se aos prazeres proibidos. Quem dá importância ao caráter e quer desenvolver harmoniosamente a sua personalidade, cumpre que vele, como se se tratasse de um tesouro, pela sua integridade física e moral, até ao sacramento do matrimônio (e também depois), que Deus instituiu para ele.
"É valente quem vence um leão - escreve Helder, - é valente quem submete o mundo; porém mais valente ainda é aquele que se vence a si próprio".
O teu bigode cresce por si mesmo, as tuas pernas por si mesmas se tornam mais compridas, mas o verdadeiro caráter viril não se desenvolve por si próprio. Assim, também, deves lutar e arrancar todos os dias um pedaço à tua fraqueza inata, mediante séria abnegação e trabalho verdadeiramente consciente.
Fonte.
Grifos nossos.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Arma é Civilização

Major L. Caudill - Corpo de Fuzileiros dos EUA
Tradução de Ricardo Jung (Colaborador do Movimento Viva Brasil)

As pessoas só possuem duas maneiras de lidar umas com as outras: pela razão e pela força. Se você quer que eu faça algo para você, você tem a opção de me CONVENCER VIA ARGUMENTOS ou me obrigar a me submeter à sua vontade pela FORÇA. Todas as interações humanas recaem em uma dessas duas categorias, SEM EXCEÇÕES. Razão ou força, só isso. Em uma sociedade realmente moral e civilizada, as pessoas somente interagem pela PERSUASÃO. A força não tem lugar como método válido de interação social e a única coisa que remove a força da equação é uma arma de fogo (de uso pessoal), por mais paradoxal que isso possa parecer.

Quando eu porto uma arma, você não pode lidar comigo pela força. Você precisa usar a Razão para tentar me persuadir, porque eu possuo uma maneira de anular suas ameaças ou uso da Força.


A arma de fogo é o único instrumento que coloca em pé de igualdade uma mulher de 50 Kg e um assaltante de 105 Kg, um aposentado de 75 anos e um marginal de 19, e um único indivíduo contra um carro cheio de bêbados com bastões de baseball.

A arma de fogo remove a disparidade de força física, tamanho ou número entre atacantes em potencial e alguém se defendendo. Há muitas pessoas que consideram a arma de fogo como a causa do desequilíbrio de forças. São essas pessoas que pensam que seríamos mais civilizados se todas as armas de fogo fossem removidas da sociedade, porque uma arma de fogo deixaria o trabalho de um assaltante (armado) mais fácil. Isso, obviamente, somente é verdade se a maioria das vítimas em potencial do assaltante estiver desarmada, seja por opção, seja em virtude de leis – isso não tem validade alguma se a maioria das potenciais vítimas estiver armada.

Quem advoga pelo banimento das armas de fogo opta automaticamente pelo governo do Jovem, do Forte e dos em maior número, e isso é o exato oposto de uma sociedade civilizada. Um marginal, mesmo armado, só consegue ser bem sucedido em uma sociedade onde o Estado lhe garantiu o monopólio da força.

Há também o argumento de que as armas de fogo transformam em letais confrontos que de outra maneira apenas resultariam em ferimentos. Esse argumento é falacioso sob diversos aspectos. Sem armas envolvidas, os confrontos são sempre vencidos pelos fisicamente superiores, infligindo ferimentos seríssimos sobre os vencidos.

Quem pensa que os punhos, bastões, porretes e pedras não constituem força letal, estão assistindo muita TV, onde as pessoas são espancadas e sofrem no máximo um pequeno corte no lábio. O fato de que as armas aumentam a letalidade dos confrontos só funciona em favor do defensor mais fraco, não do atacante mais forte. Se ambos estão armados, o campo está nivelado.

A arma de fogo é o único instrumento que é igualmente letais nas mãos de um octogenário quanto de um halterofilista. Elas simplesmente não funcionariam como equalizador de Forças se não fossem igualmente letais e facilmente empregáveis.

Quando eu porto uma arma, eu não o faço porque estou procurando encrenca, mas por que espero ser deixado em paz. A arma na minha cintura significa que eu não posso ser Forçado, somente persuadido. Eu não porto porque tenho medo, mas porque ela me permite não ter medo. Ela não limita as ações daqueles que iriam interagir comigo pela razão, somente daqueles que pretenderiam fazê-lo pela força. Ela remove a força da equação... E é por isso que portar uma arma é um ato civilizado.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Católico morno, acorde pra VIDA!

Entrevista com Pe. Anderson Batista à Rádio Aliança em São Gonçalo - RJ. Nesta entrevista, o padre fala sobre as ações governamentais de promoção do aborto a qualquer custo, por meio de ONGs e instituições financiadas por fundações internacionais multimilionárias, como a fundação Ford, Rockefeller, McArthur, etc, tudo com o apoio público do governo brasileiro, encabeçado pelo PT e a atual presidente da república, Dilma Rousseff e sua ministra Eleonora Menicucci.

sábado, 30 de junho de 2012

II Fórum da Juventude Conservadora do Oeste Paranaense


Mais informações também aqui no blogue.
Para amigos de lugares distantes, a Associação Cristo Rei oferece hospedagem em sua sede.
Evento conta com o apoio do Grupo Dom Bosco.
Traga seus amigos, e venha participar conosco!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Lua, por Tasso da Silveira

Lua de perigeu, na noite de Sábado (5) no Rio de Janeiro.

Lua! Canção de mágoa, triste endeixa
de saudade, no azul do céu perdida...
Companheira dos que vão sós na vida,
dos que não têm quem lhes escute a queixa...

O teu frio palor na alma nos deixa
a tristeza profunda e comovida
de quando a alguém a eterna despedida
vamos levar, e um túmulo se fecha...

Errante e só pela infinita altura,
há milênios que vens, ó Lua triste,
iluminando a humana desventura...

E parece que em ti se congelaram
todos os ais de súplica que ouviste
e a ânsia dos olhos todos que te olharam...

Tasso da Silveira

sábado, 14 de abril de 2012

O “TERRORISMO FILANTRÓPICO”

Por Gen. Bda. Rfm. Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Aos poucos, incute - se na cabeça das pessoas que crime nem sempre é crime. Depende da motivação.
Se um “cidadão” resolve assaltar você para ter um padrão de vida melhor, um bom tênis, uma vistosa calça, uma dose de crack, evidentemente, será em prol de uma justa reivindicação.

 É provável que se você raciocinar “politicamente correto”, não irá escorraçar o pobre diabo, que nada mais fez do que buscar a sua parte, aquela que você, indevidamente, surrupiou dele.

E, não se esqueça, que se todos são iguais perante Deus, e você tem e ele não; perdoa, e se redima, divida. Se você não tem a grandeza de perdoar, nem de dividir, o desgoverno fará a sua parte.

Aqueles que o desgoverno julgou agentes de propósitos sociais e reivindicatórios, não só os perdoou como indenizou. Agora, está atrás dos que procuraram reprimí - los, considerados “um bando sem causa justa” e, portanto, uns escrotos torturadores.

O mesmo raciocínio poderá ser feito, em diversas circunstancias, inclusive, no terrorismo, que pode ter duas facetas, a “bestialógica”, e a ideológica, ou sacrossanta.

Assim, debruçaram - se nestas reflexões, os membros da Comissão de Juristas definida pelo Senado Federal para avaliar e propor mudanças no Código Penal, e que assolados em suas consciências pela distribuição equânime da justiça aprofundaram - se no âmago humano, e aprovaram a inclusão do terrorismo no Código.

Até aí “morreu Neves”.

O espantoso é que os nobres juristas propuseram que haverá o terrorismo bom, “por propósitos sociais e reivindicatórios”, e o mau.

Sim, tudo depende. Se em nome de Alá, embasado em justificadas crenças, trazendo o agente da ação a pureza de realizar seu ato por uma causa divina, que está muito além de meros propósitos sociais ou reivindicatórios, a matança de uma ou centenas de pessoas, não pode ser vista como um crime.

A crença, a certeza e a lealdade são, no espírito de alguns de nossos pensadores, a justificativa para qualquer ato, inclusive o de terrorismo, desde que por uma boa causa.

Não se justificará o psicopata, o beócio “serial killer”, mas, portador o agente de uma reivindicação considerada de cunho social ou ideológico, eis a relevância que poderá beneficiar, não o vulgar “terrorista”, mas o esforçado “justiceiro”.

Da mesma forma, se os que lutaram contra a repressão, seja para derrubar um governo autoritário, seja para implantar aqui um governo marxista - leninista, a motivação pouco importa.

É relevante para os juristas que eles roubaram, mataram, seqüestraram e aterrorizaram “por uma causa”, e tal propósito deverá ser o suficiente para justificar qualquer coisa (como a esdrúxula existência de dois tipos de terrorismo), afinal os seus agentes foram os instrumentos de princípios defendidos até as ultimas conseqüências, não importando os outros, que foram feridos, mortos, esquartejados e aterrorizados.

É, estamos numa encruzilhada moral, ou melhor, imoral, a ponto de justificar qualquer coisa, afinal este é o nosso “jeitinho frouxo e cretino de ser”.

É o PNDH3 em marcha, pronto para considerar que a invasão de sua terra pelo MST, não é crime e, sim, um “movimento social e reivindicatório”.

Brasília, DF, 11 de abril de 2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

I Fórum da Juventude Conservadora do Oeste Paranaense

Caros leitores e amigos,

Na pessoa de coordenador geral do Grupo Dom Bosco, convido a todos para o I Fórum da Juventude Conservadora do Oeste Paranaense, que será realizado no próximo 31 de Março, em Toledo - PR.
Para mais informações sobre o evento, favor entrar em contato através do blogue do Grupo Dom Bosco, ou então através do email: andrerinaldi@live.it.

Contamos com a sua presença!


Clique na imagem para ampliar

quinta-feira, 1 de março de 2012

Formiga, por Tasso da Silveira


É um minúsculo inseto: uma formiga.
Sem que ninguém lhe note a faina obscura,
vai construindo, elevando para a altura
o formigueiro - templo e lar - que a abriga.

No titânico heroísmo em que se apura,
não hesita, sequer. E não a instiga
o ardor da glória: nem a inveja e a intriga
incentivo lhe dão para a aventura.

Que alto exemplo de fé no próprio esforço!
Fosse um de nós, e, instante por instante,
do cansaço abatido à força bruta,

pararia, curvando a fronte e o dorso,
a perguntar, de angústia palpitante,
qual a razão de ser daquela luta...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Entrevista: Reforma Agrária – Questão de Consciência

Entrevista para a revista Catolicismo em Janeiro
de 2011 por ocasião do cinquentenário de seu livro.
Dr. Carlos Del Campo é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Católica do Chile, com doutorado em Economia Agrária e o título de Master of Science em Economia Agrária pela Universidade da Califórnia (Berkley - EUA), é também autor do livro Is Brazil Sliding Toward the Extreme Left? (O Brasil resvalando para a extrema esquerda? – 1986) e das partes técnicas e econômicas de duas outras obras de Plinio Corrêa de Oliveira: Sou católico: posso ser contra a Reforma Agrária? (1981) e A propriedade privada e a livre iniciativa, no tufão agro-reformista (1985).

CatolicismoComo se inserem os assuntos econômicos na perspectiva do livro Reforma Agrária – Questão de Consciência?

Dr. Carlos del Campo — É preciso observar que, já no título escolhido pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, está expressa de forma sintética e brilhante a idéia de que a Reforma Agrária, muito mais que um assunto econômico, é principalmente um problema moral, e em última análise um problema religioso. Ao intervir diretamente na propriedade privada individual, a Reforma Agrária envolve um direito derivado da própria natureza humana, gravado para sempre em dois Mandamentos da Lei de Deus: “Não furtarás” e “Não cobiçarás as coisas alheias”. A ordem natural e o direito que dela deriva constituem o fundamento dos Mandamentos, base da ordem moral e da doutrina social da Igreja, surgindo assim o aspecto religioso da questão. Criada por Deus e resumida nos preceitos divinos, a ordem natural exige que as nações e os indivíduos respeitem e favoreçam os direitos individuais, entre os quais a propriedade privada. Daí a importância, atualidade e acerto dos autores ao colocar esses aspectos doutrinários na primeira linha de análise da Reforma Agrária.

RA-QC demonstra com clareza e segurança que o respeito à propriedade privada e à livre iniciativa está solidamente alicerçado na doutrina social da Igreja e é indispensável ao bem comum. Entretanto esses direitos não são absolutos. Ou seja, podem surgir situações concretas em que o próprio bem comum exija limitar esses direitos. Até mesmo o direito individual à vida pode ser limitado por imposição do bem comum, como é o caso, por exemplo, de uma nação que entra em guerra para defender sua soberania. E aqui entram as considerações econômicas no estudo da Reforma Agrária. O papel da Economia é verificar se as condições concretas em que se encontra a agropecuária respeitam o bem comum; e, caso negativo, analisar se um programa de Reforma Agrária, limitando o direito de propriedade privada e a livre iniciativa individuais, representa uma verdadeira solução.

O estudo econômico demonstrou há cinqüenta anos que não existem no setor agrícola problemas que justifiquem um programa com a envergadura e as características de uma Reforma Agrária. Ficou então demonstrado que a Reforma Agrária é uma falsa solução para um problema inexistente.

CatolicismoPor que o Sr. afirma em seu trabalho que a Reforma Agrária fracassou no Brasil?

Dr. Carlos del Campo — Tal como foi definida e é apresentada à opinião pública, a Reforma Agrária consiste na expropriação de terras particulares improdutivas, a fim de dividi-las e distribuí-las entre trabalhadores sem terra. Assim, fica no público a impressão de que o objetivo é torná-los pequenos proprietários produtivos, que passariam a oferecer alimentação farta para a população, além de gerar renda para manutenção e progresso deles próprios e de suas famílias. Porém, na prática e na realidade nua e crua, as coisas não funcionaram e não estão funcionando conforme a teoria agro-reformista apregoava.

Em primeiro lugar, a Reforma Agrária não tem criado verdadeiros proprietários agrícolas. Até fins de 2008, o INCRA incorporou cerca de 80 milhões de hectares e assentou aproximadamente 1,1 milhão de famílias. Mas diversas fontes indicam que até 1996 apenas 5,6% dos assentados tinham recebido o título de propriedade das respectivas glebas, ou seja, não se tornaram de fato proprietários. Entre 1996 e 2008, conquanto o número de assentados tivesse aumentado de 163.000 para 1.118.000, praticamente não houve novas entregas de títulos de propriedade. Segundo dados mais recentes, extraídos de estatísticas do próprio INCRA, somente 2,54% dos assentados receberam título de propriedade; com outros 2,81%, celebrou-se apenas um contrato de concessão de uso. A partir desses dados, não se pode deixar de concluir que a tão propalada meta de criar milhares de pequenos proprietários está longe de ser cumprida. O que de fato está ocorrendo é a criação de pequenos produtores, quase totalmente dependentes de um novo patrão — o Estado. Ou seja, uma verdadeira “terrabrás”, que em pouco ou quase nada difere dos famigerados e fracassados kolkhozes.

Em segundo lugar, estudos realizados ou encomendados pelo próprio governo dão base para se afirmar que o valor da renda líquida mensal gerada pelo assentado em seu lote alcança, em média, um montante da ordem de 1,5 salário mínimo (SM). Com base nos mesmos dados, é possível afirmar que em torno de 40% retiram do lote até 1 SM de renda líquida; cerca de 70% conseguem até 2 SMs. Ora, especialistas na matéria afirmam que quem ganha até 2 SMs mensais entra na classificação de pobre. Pode-se dizer, portanto, que 70% das famílias assentadas como produtores rurais são pobres. Resultado esse que obriga os assentados a procurar serviços fora do assentamento, para complementar a renda obtida no lote.

Bastam estas duas considerações para concluir que a Reforma Agrária, tal como a propaganda a apresenta à opinião publica, tem sido um fracasso.

CatolicismoDiante do fracasso da Reforma Agrária, como o Sr. explica a insistência dos agro-reformistas em continuar com esse programa?

Dr. Carlos del Campo — A única explicação que me parece lógica é uma mudança de finalidade da Reforma Agrária. Pode-se pensar numa mudança que simplesmente “vem ocorrendo”, mas vários indícios fazem suspeitar que essa mesma mudança, só agora evidente, era desde o início a verdadeira intenção dos agro-reformistas. Passemos a analisar algumas características da atual situação.

É notório que a Reforma Agrária não pretende criar pequenos proprietários familiares. Está cada dia mais em evidência a falta de interesse das autoridades em emancipar os assentamentos mediante a concessão de títulos de propriedade individuais. As unidades familiares de produção transformaram-se em meras concessões de uso, que no entanto é prevista na legislação como situação temporária até a consolidação do assentado como produtor rural. De temporária, esta forma legal de uso da terra está se transformando em situação definitiva. Desde o início do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA) do governo Sarney, essa tendência já predominava. Autoridades da época defendiam abertamente a exploração coletiva da terra (é difícil não se pensar nos kolkhozes) por meio da formação de associações de produtores e cooperativas.

Parece cada vez mais claro também que está sendo deixada de lado a idéia de que os assentados devem ter como objetivo central a maximização dos lucros individuais, produzindo com eficiência e alta produtividade de acordo com o que se espera dentro de um regime de economia competitiva. Os conceitos de eficiência, produtividade, lucro e concorrência parecem estar mudando, quando se trata dos assentamentos. Este processo de mudança ressalta claramente quando se analisa o novo sistema de assistência técnica e extensão rural em execução.

CatolicismoO Sr. tem elementos para avaliar se essa tendência é espontânea, ou se é movida por alguma base doutrinária conhecida?

Dr. Carlos del Campo — Tudo indica que se trata de impor aos assentados um socialismo camuflado, chamado eufemisticamente de economia solidária. Em sua essência, economia solidária não é outra coisa senão uma reprodução do projeto de socialismo autogestionário, que nos anos 80 o governo socialista de François Mitterrand quis impor na França. A autogestão é uma forma de organização econômica em que os mercados são determinados por conselhos comunitários, que reúnem produtores, fornecedores, consumidores e dirigentes locais; em que a

concorrência é substituída pela solidariedade; em que o lucro é definido como “o suficiente me basta”; em que o patrão individual desaparece, sendo substituído por uma direção autogestionária constituída pelo conjunto de produtores reunidos em associações. É excluída portanto a propriedade privada individual da terra e dos meios de produção. Nessa economia, a distribuição dos excedentes é determinada por um conselho administrativo dos entes produtivos comunitários, tendo em vista de modo especial os interesses coletivos. Parece ser este o objetivo dos propulsores da economia solidária: uma sociedade organizada sob “a presença de certa ascese, uma ruptura com o ethos capitalista produtivista e consumista, que a coloca alinhada com uma economia da simplicidade”.

Em resumo, o que está no horizonte do agro-reformismo é pobreza, produção apenas suficiente e perda da iniciativa individual. Essa meta coincide com a dos ecologistas radicais, segundo os quais os padrões de consumo do mundo terão que mudar, entre eles o padrão alimentar. Caso contrário, o mundo entraria em colapso. Os recursos naturais da Terra, segundo eles, não suportam o desenvolvimento do mundo provocado pelo capitalismo. Assim, seria necessário mudar de paradigma para preservar a natureza. Mudar do máximo para o mínimo necessário, do crescimento econômico para o crescimento zero. É a economia do suficiente.

Catolicismo Qual a avaliação que o Sr. faz da pequena propriedade agrícola?

Dr. Carlos del Campo — Parece que o Brasil caminha na contramão da História quanto ao assunto da pequena propriedade agrícola. Praticamente em todas as partes do mundo ela constitui um problema pela sua ineficiência produtiva, que leva os governos a praticar reservas de mercado e financiamentos altamente subsidiados para protegê-la da concorrência. Essa proteção, injustificável do ponto de vista econômico, termina sendo paga por toda a sociedade. Trata-se de um custo destinado a manter uma organização de baixa produtividade, desejada por razões políticas e até, em muitos casos, por razões históricas e turísticas.

No Brasil a razão é outra, pois a pequena propriedade familiar é defendida em contraposição à média e grande propriedade. Nesse sentido, continuamente surgem comentários defendendo a necessidade de uma Reforma Agrária que transforme médias e grandes propriedades em pequenas propriedades familiares, alegando serem estas mais produtivas. Entretanto, segundo as pesquisas citadas, encomendadas pelo próprio governo, cerca de 70% dos estabelecimentos familiares obtêm uma renda total mensal inferior a dois salários mínimos (valor da linha de pobreza), chegando a 80% no Nordeste. Portanto, em princípio, a criação de pequenos estabelecimentos como estratégia para diminuir a pobreza é de si ineficiente. No momento, se a maioria dos estabelecimentos fossem criados assim, isto geraria provavelmente uma renda familiar total inferior à linha de pobreza, como está ocorrendo no caso dos assentamentos da Reforma Agrária.

Da análise dos dados fornecidos pelas pesquisas decorrem pelo menos três conclusões importantes sobre a pequena propriedade familiar e sua importância na produção de alimentos:

  1. A maioria dos pequenos produtores familiares não oferece contribuição importante na produção de alimentos. Só 30% deles participam ativamente, e na maioria restante a participação é marginal.
  2. A criação de pequenos produtores familiares não garante aumento significativo na oferta de alimentos. Esta realidade é comprovada pelos pífios resultados alcançados até agora pela Reforma Agrária.
  3. Para que o pequeno produtor familiar consiga progredir, uma condição necessária (mas não suficiente) é ter nível de conhecimento e aptidão psicológica que o levem a trabalhar como empreendedor. Sem isso, de pouco adiantam a assistência técnica e financeira. Reserva de mercados e outras vantagens governamentais não terão efeito duradouro.
Estas considerações nos permitem concluir que a pequena propriedade familiar, como se encontra hoje no Brasil, é mais um problema do que uma solução. Antes de se pensar em aumentar seu número por meio da Reforma Agrária, seria de bom senso resolver antes os problemas do setor.

CatolicismoO Sr. julga necessário o governo alterar os índices de produtividade mínimos, exigidos para que o proprietário rural não seja expropriado?

Dr. Carlos del Campo —A Constituição brasileira incluiu a exigência de índices mínimos de produção rural, com base no conceito de função social da propriedade, e ultimamente o governo tem manifestado a intenção de mudar os atuais índices, em vigor desde 1980. Mas de fato não existe nenhuma justificação econômico-social para que o Estado imponha índices de produtividade ao proprietário rural sob pena de expropriação, pois o mercado brasileiro de produtos agropecuários é altamente competitivo e abastece a população em abundância, gerando ademais um significativo volume de divisas indispensáveis para o desenvolvimento do País. Mais ainda, o setor agropecuário tem sido uma verdadeira âncora no controle da inflação e na estabilização da economia. Assim, pode-se afirmar com segurança que o setor agropecuário brasileiro tem sido modelo no cumprimento de sua função social no conjunto da atividade econômica.

Nada tem de errado o fato de produtores não atingirem eventualmente os índices mínimos. Situações de mercado, disponibilidade de financiamentos, restrições climáticas, aspectos técnicos, e muitos outros — são fatores que podem levar um produtor a não aproveitar toda sua “capacidade instalada”. Este é um fato corriqueiro, aliás, em qualquer atividade produtiva, e proceder dessa forma é ser eficiente. Ou seja, o produtor está assim beneficiando tanto a si próprio como à sociedade como um todo. Exigir produção maior, passando por cima destas considerações, conduz ao desperdício de recursos produtivos, causando prejuízo à sociedade em geral. Independentemente de atingir os índices de produtividade — uns produzindo mais, outros produzindo menos — o conjunto dos proprietários rurais cumpre sua função social, contribuindo de forma possante para o bem estar da Nação. Destas considerações conclui-se que a imposição de índices de produtividade e outros do gênero ao proprietário rural, sob pena de expropriação, é uma exigência legal arbitrária sem fundamento na realidade econômica e agrícola do País.


CatolicismoEm sua opinião, quais deveriam ser os pontos essenciais de uma sã política econômica para o setor agropecuário brasileiro?

Dr. Carlos del Campo — A primeira medida indispensável é cessar a verdadeira perseguição que se exerce atualmente sobre o produtor rural. A magnitude dessa perseguição é o ponto central do livro Agropecuária, Atividade de Alto Risco, cuja leitura recomendamos. Como a Reforma Agrária em curso é uma fonte permanente de intranqüilidade, afetando os investimentos e o emprego no campo, outra medida indispensável consiste em freá-la, dando um tempo para se avaliar os seus resultados práticos bem como esses prejuízos que ela vem causando. Na mesma linha, devem ser revistas as políticas indigenistas, quilombolas e ambientais. Tal como hoje estão sendo implementadas, elas só têm atropelado direitos adquiridos de longa data, gerando graves injustiças ao proprietário rural.

Outro ponto que precisa ser reestudado são as exigências trabalhistas impostas aos produtores agropecuários, que repetem com pequenas variantes o que se exige para trabalhadores urbanos. As relações patrão-empregado devem ser condizentes com a natureza e características próprias ao campo. Impor no setor rural um teor de relações trabalhistas similar ao existente no setor de serviços e industrial prejudica especialmente o trabalhador rural e pode inviabilizar a atividade. Foi a partir de tais exigências que começou a proliferar o operariado tipo “bóia fria”, desestimulando a residência na própria fazenda e o emprego rural permanente, gerando conflitos desnecessários e acumulando problemas nas periferias das cidades. De modo geral, o que o campo precisa é de menor interferência do Estado em suas atividades — norma válida, aliás, para toda economia sadia. Cabe sim ao Estado fiscalizar a execução dos empreendimentos econômicos, mas não é aceitável o proprietário rural ser tratado como um criminoso, sujeito permanentemente a punições de toda ordem por infringir normas e portarias, na maioria das vezes arbitrárias e fora de propósito. Nesse sentido, a legislação trabalhista e ambiental tem que ser revista em profundidade.

Nessa mesma linha de raciocínio, uma economia com suas finanças públicas realmente equilibradas (e não pseudo-equilibradas contabilmente) é condição necessária para que o setor rural alcance desenvolvimento econômico-social permanente. Sem necessidade de apelar a privilégios governamentais, o setor rural merece e deveria esperar do setor financeiro um leque de opções de financiamento e de seguro agrícola compatível com a atividade.

É ainda elemento fundamental para um bom programa de política agrária a promoção da pesquisa e educação rural, para melhorar a capacitação do homem do campo. Capacitação não só técnica, mas também de administração, comercialização e de técnicas mercadológicas, mais do que nunca cruciais para conseguir êxito.

Catolicismo Que espera o Sr. da reedição de Reforma Agrária – Questão de Consciência, meio século depois?

Dr. Carlos del Campo — A reedição dessa obra é uma iniciativa muito oportuna. O Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, principal idealizador e autor do livro RA-QC, afirmava que a América Latina rumaria para onde caminhasse o Brasil. Referindo-se às tentativas de avanço da Revolução, concluía ser indispensável barrar a Reforma Agrária socialista e confiscatória para evitar a queda do Brasil no comunismo. A luta contra a Reforma Agrária, portanto, ultrapassa de muito o âmbito rural e as fronteiras do Brasil, é fundamental para evitar o triunfo da Revolução gnóstica e igualitária e preservar os restos de civilização cristã que ainda sobrevivem. De atualidade indiscutível, essa reedição representa ainda uma homenagem e um ato de gratidão para com Plinio Corrêa de Oliveira, lutador exímio e fundador de uma nova corrente de pensamento católica contra-revolucionária, que se tem destacado de forma possante por sua eficácia e capacidade de ação em defesa dos valores perenes da civilização cristã.

CatolicismoO que se pode esperar, em concreto, desse relançamento?

Dr. Carlos del Campo — Primeiramente podemos augurar uma mudança de atitude dos que sofrem as conseqüências danosas da Reforma Agrária, como também dos que a combatem. Não devem pensar que estão sozinhos e apenas debatendo-se em defesa de interesses pessoais, por mais legítimos que estes sejam. Devem convencer-se de que estão em jogo princípios de ordem moral, e estes são a base da ordem social desejada por Deus. Os argumentos meramente econômicos, aventados quando se trata do assunto, devem ser enriquecidos com razões doutrinárias e morais, cuja superioridade e primazia é indiscutível. Dessa forma, o combate ideológico irradiaria do setor rural para todas as atividades do País, engajando amplos setores da sociedade e constituindo reforço proveitoso a fim de evitar atitudes derrotistas do tipo “ceder para não perder”. Com a graça obtida de Deus pelos rogos da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, resultados enormes poderão ser alcançados, e cabe a nós empreender esforços para obtê-los.