quarta-feira, 13 de março de 2013

Vertigo, a maior obra do cinema

Londres (EFE) - Vertigo (Um Corpo que Cai) de Alfred Hitchcock foi designado o “melhor filme de todos os tempos” superando o Cidadão Kane de Orson Welles, segundo a última votação da revista Sight and Sound do British Film Institute (BFI), a Filmoteca de Londres.

Esta publicação especializada leva a cabo esse tipo de votação à cada dez anos e a obra dirigida por Welles ganhou o primeiro posto nesta lista dos 50 melhores filmes durante as últimas cinco décadas. Na última votação, os experts situaram na primeira posição a Vertigo (Um Corpo que Cai), o filme de suspense que o diretor britânico Alfred Hitchcock dirigiu em 1958, superando por 34 votos a Cidadão Kane, e não incluíram na lista nenhum filme rodado na última década.

A estes experts em Cinema – um total de 846 entre distribuidores, críticos, acadêmicos e escritores – foi pedido que valorizassem os trabalhos em função de sua relevância na história cinematográfica, suas conclusões estéticas ou o impacto que teve cada filme à nível pessoal tomando por base sua própria visão do Cinema.

Com um elenco que inclui aos atores James Stewart e Kim Novak, Vertigo trata sobre um agente de polícia aposentado, Scotty Ferguson, que sente pânico às alturas. Na última eleição que a revista realizou há uma década, o filme de Hitchcock, ao que o próprio diretor britânico se referiu como sua “obra mais pessoal”, havia perdido por apenas cinco votos de Cidadão Kane (1941).
Cena de Um Corpo que Cai

Igualmente ao filme de Welles, Vertigo recebeu criticas contraditórias quando estreou mas ganhou prestigio com o passar do tempo. Na classificação do BFI, o filme de Yasujiro Ozu, Tokyo Story (1953), passou da quinta para a terceira posição, sendo que La Regle Du Jeu (A Regra do Jogo, 1939) de Jean Renoir, perdeu um posto até o quarto.

Entre os dez primeiros filmes houve duas novas entradas: Man With a Movie Camera (1929) de Dziga Vertov, na oitava posição, e The Passion of Joan of Arc ( A Paixão de Joana d'Arc, 1927) de Carl Theodor Dreyer, na nona posição. Dos trabalhos selecionados, o mais recente é 2001: A Space Odyssey (Uma Odisséia no Espaçode Stanley Kubrick, na sexta posição. O diretor da revista Sight and Sound, Nick James, indicou aos meios britânicos que o resultado da classificação “reflete as mudanças realizadas na cultura da crítica cinematográfica” nos últimos anos.


  1. Vertigo (Um Corpo que Cai) - Hitchcock, 1958;
  2. Cidadão Kane - Welles, 1941;
  3. Tôkyô monogatari - Ozu, 1953;
  4. A Regra do Jogo - Renoir, 1939;
  5. Sunrise: a Song for Two Humans - Murnau, 1927;
  6. 2001: Uma Odisséia no Espaço - Kubrick, 1968;
  7. The Searchers - Ford, 1956;
  8. Man With a Movie Camera - Vertov, 1929;
  9. A Paixão de Joana d'Arc - Dreyer, 1927;
  10. 8 ½ - Fellini, 1963

Comentário de Flavio Mateos:

Já o sabíamos. Mas ainda que por razões não de tudo convincentes, satisfaz o lado da justiça, ainda que os meios de comunicação de Argentina [e Brasil] destaquem mais que “Cidadão Kane” deixou de ser o número um. Enfim, nossas razões, cremos que de mais peso, podem ser lidas aqui, para quem esteja interessado.

Destacamos em negrito, por outra parte, os filmes que vale à pena conhecer. O feito de que tanto a obra magna de Hitchcock como a obra magna de Ford (The Searchers) estejam listados entre os dez primeiros filmes é mais que auspicioso. Quando enganadores como Fellini ou Kubrick deixarem de aparecer ali, seguramente o mundo será mais justo, melhor dizendo, cristão.