sexta-feira, 3 de maio de 2013

Depois da guerra...


Uma das raparigas espreguiça-se e senta-se, com os cabelos ao vento, em cima da barricada. É uma rapariga um pouco pesada, mas é louçã e bonita. Sorri para nós, radiante:
- Depois da guerra, fico nesta aldeia... Uma pessoa é muito mais feliz no campo do que na cidade... Não sabia!
E olha à volta dela, cheia de amor, como que tocada por uma revelação. A única coisa que ela conhecia eram os arrebaldes cinzentos, as idas matinais para a fábrica e a recompensa dos cafés tristes. Todos os gestos que fazem à volta dela parecem gestos de festa. Lá vai ela a saltitar, a correr para a fonte. Sem dúvida tem a impressão de que bebe mesmo no seio da terra.


Antoine de Saint-Exupèry
Um sentido para a vida